quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Você é ou está professor? Parte 2

Os tipos de professores nas IES
A professora de Filosofia da Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Doroti Martins, avalia os diferentes tipos de docentes das universidades. Para ela há basicamente duas figuras. O primeiro é aquele educador de fato, que se preocupa com os alunos, que dialoga, tem conhecimento “fantástico” na sua área específica e se preocupa com a questão pedagógica. “Esses são excelentes mestres”, diz. No entanto, ela avalia o outro estereótipo que procura a academia não com a mesma dedicação e competência que cabe na atuação como professor, mas porque o seu maior objetivo ali é pela pesquisa. “Como o Brasil é um País que não investe em cultura, um dos únicos lugares que resta para desenvolver a pesquisa é permanecer nas universidades, principalmente, as públicas”, avalia Doroti, que já foi secretária de educação do município de Florianópolis.

O professor de escola pública
Ela cita, ainda, outros professores, como aqueles que ensinam por conta do status ou procuram a segurança financeira. A busca pela estabilidade é um ponto forte de professores que procuram a rede pública, mas segundo Doroti, é visível o grande número de educadores que fazem questão de trabalhar nestas escolas por princípio e compromisso com o serviço. “As condições de trabalho na escola pública estão num nível de deteriorização absurdo, o alunado possui um grau de complexidade muito maior”, diz.

Ela explica que os contratos desses professores acabam se limitando às horas/aula em sala de aula, não permitindo pagamentos extras de hora atividade para o professor planejar e programar as suas aulas. “Esses professores, sim, que passam por todos esses problemas, seguramente ‘são professores’, independente se busca nestas escolas a estabilidade”, afirmou.

O profissional liberal
Já os profissionais liberais, que procuram a docência para receber um extra a mais ou porque não conseguiram colocação no mercado de trabalho, esses “estão professores”, na opinião de Doroti e não podem ser chamados de educadores no sentido pleno da palavra. “É uma questão estrutural no mundo do trabalho, não são educadores”, diz.

“Para ser grande é preciso ser inteiro”
O professor de Inglês do Colégio São Luís, em São Paulo, José Garcia Ghirardi, começou a lecionar aos 23 anos. Antes disso, achava que a sua vocação era para ser advogado. Já nos primeiros anos nesta carreira, percebeu que não era bem aquilo que queria para a sua vida. A docência apareceu na sua vida por acaso, quando no Colégio São Luís, foi cobrir como professor substituto numa situação emergencial e nunca mais saiu. Já são 21 anos na mesma instituição. “Me senti tão à vontade em sala de aula, neste dia, que resolvi apostar na carreira de professor”, conta.

Por aí não se tem dúvidas que Ghirardi “é” professor e neste processo ele diz que trabalha sempre visando o coletivo. “A aula não é só o professor. A aula é a história dos alunos que está acontecendo. O professor tem que perceber que a aula tem uma significação humana para os alunos.”

Para ele, “ser” professor é diferente de “estar” professor, principalmente, no que tange respeitar a diversidade de seus alunos. “Todo ser humano possui características diferentes e é importante que a escola acolha esta diversidade, não tem forma para ser professor, como não tem forma para ser aluno”. E quando Ghirardi exerce as suas atividades como professor, ele conta que sempre lembra da frase de Fernando Pessoa: “Para ser grande é preciso ser inteiro”.

*Créditos do texto no post anterior.

Um comentário:

  1. Eu acho que sou professor, pois sempre fiz do diálogo uma constante entre eu e meus alunos. E com isso, sou admirado e ensino.

    Abraços! :-)

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