sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Moradores decidem o que aprender

Reportagem do Jonral Gazeta do Povo, publicada hoje, dia 13.11.09 (acesse aqui).

Uma comunidade se reúne, discute e decide o que aprender, na área em que desejar. A mobilização parte da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep-PR), por meio do Sesi e do Senai, que viabilizam parcerias para colocar em prática os anseios da população na área de aprendizagem. São arranjos educativos locais (AEL) que visam promover o desenvolvimento sustentável em diferentes regiões, a partir da educação. Duas ações em caráter experimental ocorrem no município de Campo Largo, região metropolitana, e no bairro Portão, em Curitiba.

A estratégia é semelhante à usada no ramo industrial, chamada de arranjo produtivo local. Foi a solução encontrada para a crise pela qual o setor passou após a década de 70. Um arranjo produtivo é a aglomeração de empresas de uma mesma região, que atuam numa atividade produtiva comum, junto com empresas complementares e correlatas.
Conselheiros são renomados

De acordo com o superintendente do Sesi-PR, José Anto­nio Fares, a prática tornou-se usual em todo o país e a ideia é usar o modelo na educação. Pessoas da própria comunidade, identificadas em escolas, associações e igrejas, são reunidas para mostrar as necessidades educativas daquele local.

Os arranjos educativos rompem com o modelo tradicional pedagógico imposto pela educação formal. Têm funcionado em várias cidades do país como forma de promover o desenvolvimento sustentável de comunidades pobres. Geralmente são viabilizados por entidades do terceiro setor (ONGs). É a primeira vez que o sistema “S” está à frente de uma mobilização deste porte e o foco não está apenas em locais de baixa renda. “A aprendizagem ocorre de forma mais efetiva e vai ao encontro das práticas do cotidiano do ser humano”, diz Fares.

Embrionário

O projeto no Paraná começou há cerca de quatro meses no município de Campo Largo. Cerca de 200 pessoas da comunidade estão envolvidas, sendo que 12 jovens estudantes de escolas públicas e privadas passaram a receber oficinas de capacitação de comunicação. O curso está apenas na segunda semana. Mas os jovens têm a expectativa de promover a divulgação de todos os eventos culturais que ocorrem na cidade.

As aulas são ministradas pela jornalista e professora universitária Gesline Giovana Braga, que mora na cidade. Ela explica que os estudantes ainda terão aulas de fotografia e no fim das atividades, em dezembro, irão desenvolver programas para um rádio poste, que vai fazer parte de uma ação cultural viabilizada pelo projeto.

Até lá, vários meios de comunicação estão sendo experimentados. Os estudantes do ensino médio Thaísa Mariane de Souza e Luccas Martins Fonseca aprendem a criar um blog e fazer perfis em redes sociais, como o Twitter. “Para mim é uma experiência nova, nunca tinha trabalhado com ação social”, afirma a estudante.

O analista técnico do Senai Ângelo Guimarães Simão, que faz parte da equipe do arranjo educacional de Campo Largo, explica que a iniciativa busca envolver a comunidade local, por isso a preferência por aproveitar a experiência de uma jornalista que mora na cidade. Simão ainda ressalta que outra ação na área cultural está sendo viabilizada, além da criação de um Fórum de Gestão pela própria comunidade. “É dele que vai sair a identificação das outras necessidades para mais ações”, diz.

No bairro Portão, o lançamento do arranjo educativo ocorreu há cerca de 20 dias. Arranjadores sociais, que irão mobilizar a comunidade, ainda estão sendo identificados. Interessados em participar como voluntários ou parceiros podem entrar em contato pelo site www.fiepr.org.br.

Nenhum comentário:

Postar um comentário