terça-feira, 9 de junho de 2009

O professor faz a diferença

Antes, preciso colocar uma observação: o Daniel deixou comentário no blog com uma pergunta, mas não deixou e-mail para contato! Gente, sempre que comentarem, coloquem seus e-mails ok? Daniel: pq e importante colocar adjetivos nos textos publicitários? Porque eles são o recurso para chamar a atenção do leitor para o texto. Quando você vao falar de algo ou alguém, sempre utiliza adjetivos para buscar prender atenção, descrever a pessoa ou objeto... certo? Vamos ao post de hoje...

Este texto é de Meirevaldo Paiva, educador, coordenador pedagógico do programa O Liberal na Escola. Este texto estava aqui no meu computador desde o ano passado, foi fruto de minhas pesquisas para o livro Educação 2009. Boa leitura!

"É cansativo e desgastante repetir os mesmos problemas do ensino brasileiro tanto para o autor quanto para o leitor. Muitos já não querem se incomodar com salários, indisciplinas, repetências, analfabetismo, porque cansaram sem obter respostas das autoridades. Outros não aguentam mais ver ou ouvir que o estudante termina o fundamental sem saber ler ou escrever, que o ensino médio é ruim, que a escola pública cumpre a sua história de carências e deficiências.

Mas são poucos os que resistem e querem saber por que, no exuberante cenário capitalista de desenvolvimento, de mercado globalizado, de sociedade informatizada, alguns países alcançaram sucessos escolares em detrimento de outros como o Brasil, que são campeões da educação apenas nas telas de TV, nas maquiadas estatísticas oficiais e nos frios relatórios de uma realidade falsificada.

A edição da revista VEJA (18.06.2008) traz uma reportagem intitulada '7 medidas testadas e aprovadas', na qual se evidenciam os extraordinários resultados obtidos na educação de países como Cingapura, Coréia do Sul e Finlândia. A pesquisa foi coordenada pela egípcia Mona Mourshed (MIT), que entrevistou cerca de 200 pessoas, visitou 120 escolas em vinte países. Para os delirantes neoliberais brasileiros, as sete medidas soam como receitas a serem praticadas e servidas como numa empresa de serviços.

Das sete medidas - para cada estudante de pedagogia um tutor, MBA para os diretores, auditoria na sala de aula, roteiros para ensinar, aula particular de graça -, duas merecem comparações com o Brasil. A primeira se refere à medida - 'Só os melhores ensinam'. Diz a jornalista Camila Pereira: 'Poucos fatores influenciam tanto a qualidade do ensino em um País quanto o nível de seus professores - daí a relevância de recrutar os mais talentosos. Foi com esse objetivo que países como a Coréia do Sul e Finlândia criaram seleções tão rigorosas quanto as de uma grande empresa'.

Na perspectiva empresarial desses Países, os recrutamentos são rigorosos, porque não há lugar para incompetentes na lógica do capital que incentiva a 'democracia capitalista' a começar pelos governantes que não mascaram ideologicamente seus princípios e suas políticas como no Brasil, que exporta um tipo de 'democracia socialista' e pratica para consumo interno um capitalismo de barbárie.

Assim, nessa barbárie, a profissão de professor, no Brasil, perdeu prestígio, status, poder, respeito, porque se tornou uma fácil carreira para os menos preparados para o exercício de um magistério de sobrevivência profissional, daí a preconceituosa 'piada' - os que não servem para nada vão se professor ou pesquisador, como dizia o ex-sociólogo e ex-presidente do País.

Sem incentivo financeiro, sem motivação para estudos contínuos, sem planos de carreira, o professor, sobretudo os da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e médio), não se sentem atraídos pela sala de aula, porque além da 'merreca' que ganham como salário, de acordo com o escritor João Ubaldo Ribeiro, precisam, hoje, ter sorte para não morrer com balas perdidas, serem assassinados nos portões das escolas ou agredidos em sala de aula. Já não cabe mais o que se dizia do professor, que jamais ficaria desempregado ainda que morra a cada dia por necessidades físicas, materiais e intelectuais mal resolvidas.

A outra medida trata de 'tornar atraente a carreira de professor', a começar naturalmente pelo salário inicial do professor, que naqueles países se assemelha a salários de outras carreiras bem sucedidas. Não há, pois, como contestar que o dinheiro não é o principal na vida do professor, como querem os otimistas neoliberais brasileiros. Com um bom salário, auto-estima em elevação e o orgulho de colaborar com um País vitorioso fazem do professor um profissional bem sucedido na escala capitalista.

No Brasil, falta o bom professor em sala de aula. Mas, na atual democracia de exportação brasileira, de fingimentos constitucionais, o bom professor está sob a suspeição de que esteja se vingando. Faz a diferença, porém."

Meirevaldo Paiva é educador, coordenador pedagógico do programa O Liberal na Escola
Artigo publicado no jornal O Liberal, de Belém, em 23/06/2008. (Programa Jornal e Educação)

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