sexta-feira, 19 de junho de 2009

10 dicas para organizar uma festa junina educativa

Ainda dá tempo gente! Li esta matéria "10 dicas para organizar uma festa junina educativa" no site da uol e, caso vocês não tenham visto, fica a dica. Segue o texto que é direcionado do site da Uol para o Educar para Crescer.

"Pé de moleque, canjica, curau, pamonha, bolo de milho, quentão, bandeirinhas, fogueira, chapéu de palha, sanfona e arraiá. Sim, estamos falando de festa junina. Todo mês de junho é assim: tiramos do armário as camisas xadrez e os vestidos de chita, pintamos sardinhas nas meninas e bigodinhos nos meninos e vamos satisfeitos para a festa na escola, pensando em todos os quitutes deliciosos que nos aguardam.

Esquecemos o principal: o significado da festa. Você conhece as origens das festas juninas? Sabe por que comemos tantas iguarias de milho e de onde vêm as danças? E o colégio do seu filho, aproveita as festas juninas para preencher buracos na grade horária e engordar o caixa ou utiliza os festejos para ensinar alguma coisa para as crianças?

Embora seja uma tradição consagrada e rica da cultura popular, muitas escolas organizam festas de São João, Santo Antonio e São Pedro que pouco, ou nada, contribuem para a aprendizagem dos alunos. O Educar Para Crescer consultou alguns pedagogos e um antropólogo e elencou algumas dicas para garantir que a sua festa junina seja uma verdadeira aula.

1. Procurar o sentido original da festa
Qual a origem da festa junina? Descobrir isso pode ser o primeiro passo para a contextualização da festa. E é importante motivar os alunos a buscarem esta resposta. Saber que a tradição vem dos festejos de agradecimento aos santos pela colheita do meio do ano e que, por isso, a maioria dos quitutes é feita de milho, por exemplo, pode despertar neles o interesse pela história. "É necessário recuperar o porquê da tradição da quadrilha, das comidas, da fogueira, para que a festa junina não vire uma mera caricatura do mundo da roça", diz o antropólogo Jadir de Morais Pessoa, professor titular da Universidade Federal de Goiás, especialista em folclore.

2. Descaricaturizar o homem do campo
Homem do campo não é Jeca Tatu. É importante apresentar o campo de uma nova maneira. Tirar o olhar de deboche sobre o caipira, manifesto muitas vezes pelas roupas exageradas ou por posturas imbecilizadas. "Trazer uma pessoa da roça para contar dos saberes, descaricaturizar o homem rural. Festejá-lo como sujeito portador de saberes", indica o antropólogo Jadir de Moraes.

3. Resgatar as manifestações culturais
Um dos elementos mais importantes das festas juninas são as danças e as músicas populares. Muitas escolas contratam profissionais especializados em cultura popular para valorizar e aprofundar esse universo e desenvolver com os alunos as danças e as canções típicas. Elas não se limitam a contratar sanfoneiros e conjuntos para meras apresentações, fazem mais: colocam os alunos para dançar e até para criar as músicas. "No colégio Vera Cruz, trabalhamos há 10 anos danças típicas de todo o Brasil. As crianças de 5 anos apresentam a "Congada", dança de Minas Gerais; as de 6 anos dançam o "Bumba meu Boi", do Maranhão; e as de 7 anos fazem a tradicional quadrilha", conta Elizabeth Menezes, professora de educação corporal do colégio Vera Cruz.

A festa junina pode ser ótima oportunidade também para apresentar novos instrumentos musicais para as crianças.

No Vera Cruz, a professora traz instrumentos folclóricos como a caixa do Divino Espírito Santo, a matraca, os gungas e os chocalhos. "O mais lindo é ver o quanto as crianças aprendem. Esse ano um aluno criou uma música que nós vamos utilizar na dança: "Um triângulo, dois quadrados, céu e terra, sol e chuva formam o planeta terra de todo mundo", emociona-se a professora, cantando a canção do aluno Theo Vendramini Sampaio, de 5 anos.

4. Envolver os estudantes no assunto
Como motivar os estudantes e trazê-los para o projeto? A escola Viva, de São Paulo, utilizou, neste ano, um recurso muito simples: fixou painéis por toda a escola. Os cartazes, confeccionados pelos próprios alunos, traziam curiosidades e atraiam a atenção para o evento. "Foi uma maneira de despertar a atenção nos mais novos. Os painéis traziam informações do tipo: você sabe por que tem fogueira na festa junina? Além disso, traziam fotos dos professores em festas juninas, quando crianças. A brincadeira era adivinhar quem era o professor", disse Marta Campos, coordenadora geral do Ensino Fundamental I da Escola Viva.

5. Trazer os alunos para a preparação da festa
As festas juninas escolares devem ser feitas por e para os alunos. O objetivo é estimular o senso de autonomia e de cooperação, reforçando a importância do trabalho comunitário na escola. Para isso, é importante envolver os estudantes em todo o processo, desde a confecção dos estandartes e bandeirinhas à organização das brincadeiras. "Todos os alunos estão envolvidos na organização da festa. Mas alguns têm responsabilidades maiores. Eles coordenam os preparativos, fazem reuniões com a diretoria, apresentam relatórios e tem autonomia para decidir", afirma Wanilda Tieppo, assistente de direção da escola da Vila."

Pessoal, tem mais 5 dicas bem importantes no site Educar para Crescer. Acessem!

Bom final de semana.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Nota de falecimento... do bom senso!

Recebi este e-mail e é importante compartilhar com vocês.

"Amigos e amigas,

É com muita tristeza que lhe participamos o falecimento de um amigo muito querido que se chamava BOM SENSO e que viveu muitos e muitos anos entre nós.

Ninguém conhecia com precisão a sua idade porque o registo do seu nascimento foi desclassificado há muito tempo, tamanha a sua antiguidade, mas lembramo-nos muito bem dele,principalmente pelas suas lições de vida como:

- O mundo pertence àqueles que se levantam cedo.
- Não podemos esperar tudo dos outros.
- O que me acontece pode ser em parte também por minha culpa.

O BOM SENSO só vivia com regras simples e práticas como não gastar mais do que se tem e de claros princípios educativos como são os pais quem dão a palavra final.

Acontece que o BOM SENSO começou a perder o chão quando os pais passaram a atacar os professores que acreditavam ter feito bem o seu trabalho querendo que as crianças aprendessem o respeito e as boas maneiras.

Sabendo que um educador foi afastado ao repreender um aluno por comportamento inconveniente na aula, agravou-se o seu estado de saúde. Deteriorou-se mais ainda quando as escolas foram obrigadas a ter autorização dos responsáveis até para um curativo no machucado de um aluno - sequer podiam informar aos pais de outros perigos mais graves incorridos pela criança.

Enfim, o BOM SENSO perdeu a vontade de viver quando percebeu que os ladrões e os criminosos tinham melhor tratamento do que as suas vítimas. Também recebeu fortes golpes morais e físicos quando a Justiça decidiu que era crime defendermo-nos de algum ladrão na nossa própria casa, enquanto a este é dada a garantia de poder queixar-se por agressão e atentado à integridade física ...

O BOM SENSO perdeu definitivamente toda a confiança e a vontade de viver quando soube que uma mulher, por não perceber que uma xícara de café quente iria queimar-lhe, ao derramá-lo em uma das pernas, recebendo por isso uma colossal indenização do fabricante da cafeteira elétrica.

Certamente você já reconheceu que a morte do BOM SENSO foi precedida pelo falecimento:

- dos seu pais: Verdade e Confiança.
- da sua mulher: Discrição.
- de seus filhos: Responsabilidade e Juízo.

Então, o BOM SENSO deixa o seu lugar para três falsos irmãos:

- Eu conheço os meus direitos e também os adquiridos.
- A culpa não é minha.
- Sou uma vítima da sociedade.

Claro que não haverá multidão no seu enterro,porque já não temos muitas pessoas que o conheçam bem e poucos se darão conta de que ele partiu.

Mas, se você ainda se recorda dele,caso queira reavivar a sua lembrança, previna todos os seus amigos do desaparecimento do saudoso BOM SENSO fazendo circular esta comunicação…

Se não, não faça nada, deixe tudo como está!"

Eu fiz a minha parte, pois também acho que o mundo está cada vez mais carente de bom senso, responsabilidade, juízo, atenção, cuidado ao próximo...

Tenham um bom dia.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Resenhas de livros para se usar na sala de aula

Bom dia pessoal!

Hoje temos 4 resenhas de livros muito interessantes. Elas são feitas por Tiago Eloy Zaidan e publicadas no canal Biblioteca do site Profissão Mestre. Lá você poderá encontrar várias outras resenhas.

Como usar? Leia as resenhas para saber sobre o que se trata o livro. Posteriormente, se encaixando na idade de seus alunos, utilize o tema. Você e sua turma devem ler o livro e, ao final deste passo, fazer um debate sobre a obra. Elabore questões que façam os estudantes refletirem e que as respostas não estejam em qualquer resenha ou resumo - que eles possam encontrar na internet e não precisem ler o livro.

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A escrita cativante do escritor mineiro Fernando Sabino (1923-2004) faz-se presente com toda a sua força em O menino no espelho. O modo despojado e leve com que narra fatos aparentemente corriqueiros, também. Entretanto, em se tratando de um romance de recordações de seus tempos de criança em sua terra natal, é natural que alguns episódios sejam perceptivelmente fantasiosos. Trata-se, seguramente, de uma obra em que a naturalidade da narração não diminui em nada o clímax da história. Pelo contrário. A ingenuidade dos pensamentos do protagonista Fernando, criança, comove o leitor.

Sua narração começa em meio a um temporal, que denunciava grosseiramente as goteiras de sua bucólica residência. Seu pai, sua mãe e irmãos, todos fazem parte da trupe de personagens. Enquanto brincava com as poças de água, provocadas pela chuva, o mesmo Fernando se depara com um homem que conversa brevemente com ele, despedindo-se em seguida sem revelar o nome. O menino não sabia quem era aquele misterioso ser. Somente no final do livro é revelado ao leitor o paradeiro do individuo. Tratava-se do próprio escritor, já adulto, que em meio ao lirismo da prosa de Sabino trava em determinado momento um singelo contato com a sua versão mirim. Mesmo cercado por fatos prosaicos, tal ocorrido oferta bela dose de emotividade à obra.

O surrealismo presente em O menino do espelho não se restringe à conversa atemporal do homem com a criança. Em dado momento da narração de suas peripécias juvenis, Fernando brinca e conversa com o seu reflexo no espelho, que por sua vez, ganha vida e passa a agir em vários momentos como o seu duplo. Tornam-se grandes amigos. Porém, quando descoberto por terceiros, o reflexo retorna ao seu mundo, o espelho, de onde jamais sairia novamente. Outros saudosos episódios infantis são contados primorosamente, como o primeiro amor, sua relação com os colegas da escola, a torcida pelo América de Belo Horizonte, o seu clube do coração, as brincadeiras com a amiguinha Mariana e o apego aos animais de estimação que povoavam a casa: um cachorro, um coelho, um papagaio e uma galinha, a quem batizou de Fernanda e salvou da “degola” na véspera desta se tornar o prato do dia na refeição.

O menino no espelho mostra que, em 1982, anos após a publicação de O grande mentecapto, obra prima de Sabino, o autor ainda esbanjava habilidade literária.

Livro: O menino no espelho
Autor: Fernando Sabino
Editora: Record

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A hora da estrela trata da bisonha saga da nordestina migrante de nome Macebeia, narrada por outro personagem, Rodrigo S. M. A vida da protagonista no Rio de Janeiro é medíocre: trabalha como datilografa e vive com um mísero salário que não lhe permite uma vida digna. Sua refeição diária é um cachorro-quente com Coca-Cola.

Um homem chama a sua atenção. Olímpico, também nordestino e autor de um crime em sua região natal. Tal personagem representa um homem inseguro que busca mascarar-se no rompante demasiadamente petulante e truculento. Um esboço de namoro entre os dois é observado, no entanto, a melhor amiga de Macabeia, uma “loira oxigenada” acaba “tomando” seu companheiro. O espírito conformista da protagonista, Macabeia, contribui para que ela não fique magoada, a ponto de sequer romper relações com a amiga.

Sua existência singela é “coroada” por um atropelamento, causado por uma Mercedes, levando-a a morte. O fato mortal desenrolá-se logo após a sua visita a uma cartomante, que havia previsto um futuro, para breve, com dinheiro, luxo e um namorado oriundo do exterior.

Com A hora da estrela, permeada por traços marcantes de pós-modernismo, Clarice Lispector aponta-nos, detalhadamente, o destino de uma personagem que representa toda uma multidão, esquecida pela obtusidade do modelo de desenvolvimento econômico hegemônico.

Livro: A hora da estrela
Autora: Clarice Lispector
Editora: Rocco

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Para ler o Pato Donald é uma obra filosófica chilena que já se tornou clássica, sobretudo no tocante ao assunto que pretende abordar: as histórias em quadrinhos como meio de comunicação de massa. Primeiro porque foi uma das mais célebres e pioneiras sobre a análise do tema: doutrinação nos quadrinhos. Em segundo, não há obra ou mesmo teses acadêmicas abordando o achaque que não passem por esse volume. Pela empreitada editorial Ariel Dorfman e Armand Mattelart, os autores, seguramente foram expurgados do clube Disney.

Aqui, Walt Disney é novamente devassado. Gênio capitalista – muito mais empresário que desenhista propriamente dito -, sua figura causa ódio ou paixões. No caso de Para ler o Pato Donald, a visão é implacável. Não é a biografia do criador de Mickey Mouse que está em questão, e sim a sua obra, mais especificamente as revistas em quadrinhos.

Análises críticas minuciosas detectam e explicam o que realmente está por trás dos balõezinhos das falas dos personagens. São observadas tiradas de etnocentrismos grosseiros e até mensagens identificadas pelos autores como doutrinárias! Depois da leitura de Para ler o Pato Donald o clube da Disneylândia não será mais identificado, apenas, como uma nação de animaizinhos angelicais.

Livro: Para ler o Pato Donald
Autores: Ariel Dorfman e Armand Mattelart
Editora: Paz e Terra

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A revolução dos bichos é um louvável clássico contemporâneo lançado em 1945. Seu autor, Eric Blair, mais conhecido pelo pseudônimo de George Orwell, apesar de socialista, não possuía constrangimento algum em criticar o comunismo quando achasse necessário, da mesma forma que criticava o capitalismo.

No livro, é narrada a história dos animais do galinheiro Solar, que eram oprimidos de forma totalitária por seu proprietário. Unidos, os bichos passam a planejar uma espécie de revolução. O sofrimento de anos, somado a idéias libertárias, conduz os rebeldes até a vitória. Mais tarde, com o poder devidamente tomado pelos animais, é chegada a hora de trabalhar.

Os líderes – dois porcos – mostram possuírem divergências ideológicas. Um deles, justamente o mais truculento, expulsa o companheiro e vence o imbróglio. A partir de então a revolução é lastimavelmente deturpada, e os bichos, aos poucos, voltam a viver penosamente e sob um autoritarismo repulsivo. Uma das frases do livro exemplifica bem o lema da desvirtuação do movimento iniciado com as melhores das intenções: “todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que os outros”.

Com a deposição do maldoso humano, os porcos passam a administrar a fazenda, compondo uma casta privilegiada. No fim, a magnífica fábula denuncia: “já não era possível distinguir quem era homem e quem era porco”.

Com a leitura desta metáfora é impossível não ser remetido ao movimento revolucionário ocorrido na Rússia czarista em 1917. A revolução fora deturpada como em A revolução dos bichos e os líderes subseqüentes a Lênin – Trotski e Stálin – possuíam divergências ideológicas. Stálin “despachou” o seu “camarada” e passou a administrar autoritariamente a União Soviética de então. Note a semelhança dos fatos com a saga retratada no livro. O caso do regime stalinista russo certamente inspirou a obra de Orwell.

Livro: A revolução dos bichos
Autor: George Orwell
Editora: Companhia das Letras

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Educar é contar histórias

Texto de Claudio de Moura e castro, da revista Veja. Fonte: Tobias Ribeiro - Assessoria em Gestão Estratégica.

"De que servem todos os conhecimentos do mundo, se não somos capazes de transmiti-los aos nossos alunos? A ciência e a arte de ensinar são ingredientes críticos no ensino, constituindo-se em processos chamados de pedagogia ou didática. Mas esses nomes ficaram poluídos por ideologias e ruídos semânticos. Perguntemos quem foram os grandes educadores da história. A maioria dos nomes decantados pelos nossos gurus faz apenas "pedagogia de astronauta". Do espaço sideral, apontam seus telescópios para a sala de aula. Pouco enxergam, pouco ensinam que sirva aqui na terra.

Tenho meus candidatos. Chamam-se Jesus Cristo e Walt Disney. Eles pareciam saber que educar é contar histórias. Esse é o verdadeiro ensino contextualizado, que galvaniza o imaginário dos discípulos fazendo-os viver o enredo e prestar atenção às palavras da narrativa. Dentro da história, suavemente, enleiam-se as mensagens. Jesus e seus discípulos mudaram as crenças de meio mundo. Narraram parábolas que culminavam com uma mensagem moral ou de fé. Walt Disney foi o maior contador de histórias do século XX. Inovou em todos os azimutes. Inventou o desenho animado, deu vida às histórias em quadrinhos, fez filmes de aventura e criou os parques temáticos, com seus autômatos e simulações digitais. Em tudo enfiava uma mensagem. Não precisamos concordar com elas (e, aliás, tendemos a não concordar). Mas precisamos aprender as suas técnicas de narrativa.

Há alguns anos, professores americanos de inglês se reuniram para carpir as suas mágoas: apesar dos esplêndidos livros disponíveis, os alunos se recusavam a ler. Poucas semanas depois, foi lançado um dos volumes de Harry Potter, vendendo 9 milhões de exemplares, 24 horas após o lançamento! Se os alunos leem J.K. Rowling e não gostam de outros, é porque estes são chatos. Em um gesto de realismo, muitos professores passaram a usar Harry Potter para ensinar até física. De fato, educar é contar histórias. Bons professores estão sempre eletrizando seus alunos com narrativas interessantes ou curiosas, carregando nas costas as lições que querem ensinar. É preciso ignorar as teorias intergalácticas dos "pedagogos astronautas" e aprender com Jesus, Esopo, Disney, Monteiro Lobato e J.K. Row-ling. Eles é que sabem.

Poucos estudantes absorvem as abstrações, quando apresentadas a sangue-frio: "Seja X a largura de um retângulo...". De fato, não se aprende matemática sem contextualização em exemplos concretos. Mas o professor pode entrar na sala de aula e propor a seus alunos: "Vamos construir um novo quadro-negro. De quantos metros quadrados de compensado precisaremos? E de quantos metros lineares de moldura?". Aí está a narrativa para ensinar áreas e perímetros. Abundante pesquisa mostra que a maioria dos alunos só aprende quando o assunto é contextualizado. Quando falamos em analogias e metáforas, estamos explorando o mesmo filão. Histórias e casos reais ou imaginários podem ser usados na aula. Para quem vê uma equação pela primeira vez, compará-la a uma gangorra pode ser a melhor porta de entrada. Encontrando pela primeira vez a eletricidade, podemos falar de um cano com água. A pressão da coluna de água é a voltagem. O diâmetro do cano ilustra a amperagem, pois em um cano "grosso" flui mais água. Aprendidos esses conceitos básicos, tais analogias podem ser abandonadas.

É preciso garimpar as boas narrativas que permitam empacotar habilmente a mensagem. Um dos maiores absurdos da doutrina pedagógica vigente é mandar o professor "construir sua própria aula", em vez de selecionar as ideias que deram certo alhures. É irrealista e injusto querer que o professor seja um autor como Monteiro Lobato ou J.K. Rowling. É preciso oferecer a ele as melhores ferramentas – até que apareçam outras mais eficazes. Melhor ainda é fornecer isso tudo já articulado e sequenciado. Plágio? Lembremo-nos do que disse Picasso: "O bom artista copia, o grande artista rouba ideias". Se um dos maiores pintores do século XX achava isso, por que os professores não podem copiar? Preparar aulas é buscar as boas narrativas, exemplos e exercícios interessantes, reinterpretando e ajustando (é aí que entra a criatividade). Se "colando" dos melhores materiais disponíveis ele conseguir fazer brilhar os olhinhos de seus alunos, já merecerá todos os aplausos."

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Um plano de aula só seu - dicas para várias disciplinas

Professores e professoras, por um momento, pensem num professora que deu aula a vocês...

Pensaram?

Por que você lembrou dela? Era divertida, despojada, a matéria que ela ensinava parecia tão fácil, as aulas não pareciam longas e cansativas... Vários motivos certo? Professores inesquecíveis, todos temos. Aprenda com eles a fazer seu plano de aula. Como? (é, hoje estou cheia de perguntas)

Você quer que seus alunos aprendam. E eles precisam aprender. Qual a metodologia que mais te faz assimilar conteúdo, professor? Lógico, pois você já foi aluno de 1ª série, de 5ª ensino médio e sabe o que chama a tenção de um aluno em qualquer série. Já pensou em trabalhar assim?

Relembre as aulas que você tinha e quais eram mais interessantes para você. Quais conteúdos você nunca vai esquecer?

Dicas:

- Aula de Ciências - Tive 2 professoras de Ciências que me marcaram muito. Uma foi a Sandra, da 4ª série, lá de Brasília, da época em que morei lá. Ela tinha uma letra grandona, bonita, e fazia desenhos no quadro da matéria. A outra foia Lucília, na 6ª série, que também tinha um letrão e nos fazia copiar os desenhos do livro de Ciências no caderno. Tudo muito caprichado e avaliado na aula seguinte viu professor? Não era copiar por copiar! Eu fazia a cópia com papel de seda, pintava, nenhuma veinha passava desperebida por meus olhos. Diga-se de passagem, sou muito boa em ciências, sistemas do corpo humana, células por causa desses desenhos, que nunca vou esquecer.

- Aula de Português - Desta disciplina tenho várias professoras, aliás, lembro de quase todas. Talvez não à toa já na 8ª séria sabia que faculdade cursar (Letras) e sou bem completa com o que faço. Juliete, da 8ª série, trabalhava bastante com a gramática. Demsotrava certa intimidade até com a pequenina que carregava sempre consigo. Suas análises morfológicas de frases gigantes eram minhas preferidas. Também teve a Tânia, já no ensino médio, ninguém gostava muito da aula dela ("pobres coitados", não sabiam reconhecer o grande valor que aquelas aulas tinham!), mas eu adorava. Ela levava livros e explicava todo contexto usando ainda o retroprojetor que usa a folhinha transparente, sabem qual né? Cada dia era uma viagem pelas histórias de nossa literatura. Também teve a professora de Português da faculdade, Elisiane. Todo mundo achava ela largadona pois usava roupas tipo hippie, sem muita combinação, mas sempre muito confortável. Chegava na sala, sentava na carteira, e começa a ensinar como escrever bons textos. Gente, sério, ela é um exemplo para mim... Inteligente e sem se importar com o que os outros pensam.

- Aula de História - Não foram só professoras mulheres que me marcaram. Tive um professor de História no ensino médio, Juliano, que fazia a classe toda viajar! Ninguém abria a boca na aula dele porque poderia perder-se no caminho daquele novo lugar que estávamos atravessando! Este acho que foi um dos poucos professores que tive que tinha completo domínio de turma sem ameçar ou gritar (um defeito que às vezes, ou várias vezes, cometemos não é mesmo?). A aula dele? Apenas seu grande conhecimento sobre o conteúdo e o dom de narrá-lo como uma história fabulosa. Os pontos-chave eram colocados no quadro, e mais nada.

- Aula de Matemática - Também do ensino médio, tive o professor Ubiratan ou Altabira, haha sempre confundi o nome dele! Mas sei que ele parecia o Barney dos Flinstones! haha Sua aula era tão divertida que a matemática nem parecia um bicho tão feio assim. Ele usava tons de voz diferenciados para as fórmulas, o que nos fazia aprendê-las mais facilmente. Ah, e o grande diferencial: toda aula tinha avaliação! E pensa que a gente achava ruim? Nada! No final da aula ele entregava pedacinhos de papel com um questão. Nem todos eram iguais. Valia 0,5. Assim, ninguém ficava nervosos num dia só de prova e conseguia assimilar os conteúdos ministrados no mesmo dia.

- Aula de Geografia - Davina. Essa é A professora de Geografia! Bem divertida também e muito enégica ao mesmo tempo. É professora do tipo "já nos divertimos por hoje, agora é hora de trabalhar e ponto". Ela sempre levava os mapas da escola para a sala e deixava pindurados na frente do quadro, mostrando o lugar da onde estava falando, as características. Não ficávamos só nos livros. Smepre fazia seminários em que nós tínhamos de assistir o jornal e pegar uma matéria interessante para nós e fazer um trabalho.

- Aula de Química - A professora Raquel tinha sempre esmaltes coloridos nas unhas. Nada discreta! hehe Mas acho que sei porquê. Além do gosto particular, ela escrevia muito no quadro as fórmulas de química, então as próprias unhas já chamavam a atenção para o conteúdo. Só agora, neste minuto, me dei conta disso. Engraçado né? Viu como pequenos detalhes influenciam?

- Aula de Biologia - Ah! Essa professora do ensino médio, Sônia, me marcou de uma maneira especial. Sabe que foi ela que me "batizou" de Priscila Conte? Sim, meu nome é muuuuito mais extenso, e Conte não é o último hehe Mas como tinham 3 Priscilas na sala, virei a Conte, e não é que deu sorte?! Ela era mais jovem, também divertida, mas muito séria ao mesmo tempo. Utilizava muito o laboratório, onde íamos praticar o que aprendíamos na sala. Fazíamos relatórios, resumos... ela usava bastante aquele retroprojetor que falei ali em cima... Tmabém fazia vários desenhos no quadro.

Acho que consegui passar um pouquinho do "plano de aula só seu" não é? Deixe sua marca professor. Seja atencioso, divertido sem deixar de ser sério. Só o conteúdo não garante o sucesso de sua aula. Vale também o marketing pessoal. Aliás, esse é um bom tema para tratarmos aqui. Vou providenciar uma matéria sobre. Aproveitem as características principais destes professores que mencionei e coloquem em prática, com o seu toque pessoal. Suas aulas serão inesquecíveis também.

terça-feira, 9 de junho de 2009

O professor faz a diferença

Antes, preciso colocar uma observação: o Daniel deixou comentário no blog com uma pergunta, mas não deixou e-mail para contato! Gente, sempre que comentarem, coloquem seus e-mails ok? Daniel: pq e importante colocar adjetivos nos textos publicitários? Porque eles são o recurso para chamar a atenção do leitor para o texto. Quando você vao falar de algo ou alguém, sempre utiliza adjetivos para buscar prender atenção, descrever a pessoa ou objeto... certo? Vamos ao post de hoje...

Este texto é de Meirevaldo Paiva, educador, coordenador pedagógico do programa O Liberal na Escola. Este texto estava aqui no meu computador desde o ano passado, foi fruto de minhas pesquisas para o livro Educação 2009. Boa leitura!

"É cansativo e desgastante repetir os mesmos problemas do ensino brasileiro tanto para o autor quanto para o leitor. Muitos já não querem se incomodar com salários, indisciplinas, repetências, analfabetismo, porque cansaram sem obter respostas das autoridades. Outros não aguentam mais ver ou ouvir que o estudante termina o fundamental sem saber ler ou escrever, que o ensino médio é ruim, que a escola pública cumpre a sua história de carências e deficiências.

Mas são poucos os que resistem e querem saber por que, no exuberante cenário capitalista de desenvolvimento, de mercado globalizado, de sociedade informatizada, alguns países alcançaram sucessos escolares em detrimento de outros como o Brasil, que são campeões da educação apenas nas telas de TV, nas maquiadas estatísticas oficiais e nos frios relatórios de uma realidade falsificada.

A edição da revista VEJA (18.06.2008) traz uma reportagem intitulada '7 medidas testadas e aprovadas', na qual se evidenciam os extraordinários resultados obtidos na educação de países como Cingapura, Coréia do Sul e Finlândia. A pesquisa foi coordenada pela egípcia Mona Mourshed (MIT), que entrevistou cerca de 200 pessoas, visitou 120 escolas em vinte países. Para os delirantes neoliberais brasileiros, as sete medidas soam como receitas a serem praticadas e servidas como numa empresa de serviços.

Das sete medidas - para cada estudante de pedagogia um tutor, MBA para os diretores, auditoria na sala de aula, roteiros para ensinar, aula particular de graça -, duas merecem comparações com o Brasil. A primeira se refere à medida - 'Só os melhores ensinam'. Diz a jornalista Camila Pereira: 'Poucos fatores influenciam tanto a qualidade do ensino em um País quanto o nível de seus professores - daí a relevância de recrutar os mais talentosos. Foi com esse objetivo que países como a Coréia do Sul e Finlândia criaram seleções tão rigorosas quanto as de uma grande empresa'.

Na perspectiva empresarial desses Países, os recrutamentos são rigorosos, porque não há lugar para incompetentes na lógica do capital que incentiva a 'democracia capitalista' a começar pelos governantes que não mascaram ideologicamente seus princípios e suas políticas como no Brasil, que exporta um tipo de 'democracia socialista' e pratica para consumo interno um capitalismo de barbárie.

Assim, nessa barbárie, a profissão de professor, no Brasil, perdeu prestígio, status, poder, respeito, porque se tornou uma fácil carreira para os menos preparados para o exercício de um magistério de sobrevivência profissional, daí a preconceituosa 'piada' - os que não servem para nada vão se professor ou pesquisador, como dizia o ex-sociólogo e ex-presidente do País.

Sem incentivo financeiro, sem motivação para estudos contínuos, sem planos de carreira, o professor, sobretudo os da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e médio), não se sentem atraídos pela sala de aula, porque além da 'merreca' que ganham como salário, de acordo com o escritor João Ubaldo Ribeiro, precisam, hoje, ter sorte para não morrer com balas perdidas, serem assassinados nos portões das escolas ou agredidos em sala de aula. Já não cabe mais o que se dizia do professor, que jamais ficaria desempregado ainda que morra a cada dia por necessidades físicas, materiais e intelectuais mal resolvidas.

A outra medida trata de 'tornar atraente a carreira de professor', a começar naturalmente pelo salário inicial do professor, que naqueles países se assemelha a salários de outras carreiras bem sucedidas. Não há, pois, como contestar que o dinheiro não é o principal na vida do professor, como querem os otimistas neoliberais brasileiros. Com um bom salário, auto-estima em elevação e o orgulho de colaborar com um País vitorioso fazem do professor um profissional bem sucedido na escala capitalista.

No Brasil, falta o bom professor em sala de aula. Mas, na atual democracia de exportação brasileira, de fingimentos constitucionais, o bom professor está sob a suspeição de que esteja se vingando. Faz a diferença, porém."

Meirevaldo Paiva é educador, coordenador pedagógico do programa O Liberal na Escola
Artigo publicado no jornal O Liberal, de Belém, em 23/06/2008. (Programa Jornal e Educação)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Dia incrível!

Pessoal, preciso falar: hoje o dia foi bem especial, por N motivos...

Um deles foi que eu conheci a Associação Franciscana de Educação ao Cidadão Especial. Vocês precisam entrar no site e conhecer, pois é um exemplo para todo o País. Claro que pelo Brasil todo existem várias instituições muito legais, então conto com a ajuda de vocês para conhcê-las.

Todos que puderem me indicar associações, fundações, escolas que trabalhem com crianças com necessidades especiais, por favor, mandem o site, telefone, um resumo do trabalho deles... eles podem entrar no DVD de Educação Especial também!

Deixo o link do site deles para vocês visitarem - basta clicar na imagem ok?

Abraço e bm final de semana...

Aliás, amanhã post de informática prometido!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Motivação - dos professores e alunos

Consegui! Vou disponibilizar aqui um trechinho do DVD Motivação, o qual eu fiz um livro - que não foi publicado - e dele virou o roteiro deste DVD. Este material possui uma linguagem simples e ao mesmo tempo capacitação professores e gestores. Confira o conteúdo:

Cuidado com as armadilhas! - Prof. Hamilton Wernerck
Esta obra não é sobre auto-ajuda. É sobre autoconhecimento. Para não cair nesta armadilha, contamos com a participação do Prof. Hamilton Werneck - especialista em Educação e com
mais de 21 livros publicados - para esclarecer os segredos da motivação.

Confira o que você vai encontar em 1 hora de puro conteúdo do DVD Motivação:

Módulo 1 – O que é motivação
Origem da palavra, seu significado e qual a diferença entre entusiasmo e otimismo.

Módulo 2 – Autoconhecimento
A Teoria das Necessidades Humanas, de Abraham Maslow, e as cinco necessidades básicas humanas.

Módulo 3 – Escola Motivadora
Neste módulo mostramos como as instituições (gestores) devem trabalhar para motivar constantemente seus professores, além de abordarmos o perfil ideal de um diretor motivador.

Módulo 4 – Professor Motivado
É preciso aproveitar ao máximo as oportunidades de capacitação que a instituição oferece e buscar sempre mais.

Módulo 5 – Alunos Motivados
Para que a transferência de entusiasmo do professor para seus alunos se construa de modo efetivo, o educador também precisa conhecer os demais pontos que estão diretamente ligados ao processo ensino-aprendizagem.

Basta clicar no link que abrirá uma janela com o windows media player ok:
http://www.profissaomestre.com.br/emailmkt/2007/ago/DVDMotivacao/motivacao.wmv


Estou preparando também algumas dicas de informática. Ainda esta semana as publicarei.

Até

segunda-feira, 1 de junho de 2009

De olho no boletim...

Recebi por e-mail esta imagem e nada ilustra melhor o contexto da educação de hoje.

*Clique na imagem para ampliar.

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