quarta-feira, 6 de maio de 2009

Refletindo as práticas de alfabetização e letramento

Pessoal, mais um texto enviado pelo JV PM que vale muito a pena reproduzir aqui, pois sua temática é de extrema importância - além de ser um artigo muito bem redigido. Mais uma vez, caso queiram utilizá-lo, créditos para Viviane (currículo e contato no final do post). Amanhã, para não ficar muito extenso hoje, falarei sobre minha experiência com alfabetização de adultos. Boa leitura!

"O termo letramento surgiu quando se tornou mais evidente o problema do 'analfabetismo'. A falta de conhecimento sobre leitura e escrita intensificou uma preocupação maior para que se gerasse questionamentos para discutir a problemática. Logo em seguida, perceberam que não bastaria apenas ler e escrever, mas usar esses conhecimentos adequadamente de maneira interpretativa.

Sabemos que há muita política envolvida na educação e esta vê o analfabetismo apenas como meros números e gráficos comparados gradualmente. Verdade seja dita: na maioria das vezes, se um cidadão “aprende” a escrever o nome, já não é mais considerado um analfabeto. Mas se pedirmos para o mesmo ler um texto e explicar o que leu, provavelmente não o fará, pois sabe até 'decodificar' as letras e palavras, porém, não sabe interpretá-las.

O grande problema do Brasil é justamente de apenas se preocupar com os números de analfabetos, o que traz complicações para a imagem do País e cobranças de entidades estrangeiras que 'lutam' pelos direitos humanos. Mais importante do que ensinarmos nossos alunos a ler e escrever é darmos subsídios para que estes compreendam a Língua como um todo  gramaticalmente, coloquialmente e colocando em prática nos diálogos do cotidiano. O oposto acontece em países de primeiro mundo como nos Estados Unidos, França e Inglaterra, onde o ensino fundamental é obrigatório (e com duração maior que o nosso  10 anos nos Estados Unidos e na França, 11 anos na Inglaterra).

O letramento, em linhas gerais, pode ser definido 'como condição de quem não sabe apenas ler e escrever, mas cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita'. (SOARES, 1998 apud SIMONETTI, p. 21).

Atualmente, devemos tratar o letramento e a alfabetização como processos distintos, porém, simultâneos e de certa forma 'inseparáveis', já que remete ao outro. Ao fazermos uma profunda reflexão, descobrimos que o letramento nada mais é do que um processo de continuação da alfabetização. O mais certo é que o(a) educador(a) alfabetize letrando.

Temos consciência de que a escola não forma leitores sozinha, mas sabemos que a instituição é fundamental para ajudar nessa formação – até porque é um ambiente propício.

A tarefa de alfabetizar na perspectiva do letramento é colocar em prática no cotidiano a vivência com as crianças nas práticas de leitura e escrita e instrumentalizá-las, dando assim subsídios a elas para que estejam preparadas para usar os vários tipos de linguagem em qualquer tipo de situação.

É essencial que o(a) professor(a) amplie sua visão sobre a alfabetização e o letramento. É importante inserir os alunos no mundo da escrita, visitando a biblioteca, dramatizando histórias, porém, deve-se também inserir os(as) alunos(as) nas artes em geral  dança, pintura, música, etc.

Necessitamos de uma reflexão no campo educacional, principalmente no que se diz respeito ao ensino da leitura e da escrita para que possamos finalmente formar melhores leitores e escritores, letrados e alfabetizados. Esse é o maior desafio que temos como professores(as).

Um dos aspectos mais difíceis da arte de se alfabetizar alguém  seja criança, jovem ou adulto  é colocar em prática todos os subsídios teóricos que estudamos; recorrer aos teóricos para fundamentar e justificar o que fazemos e como fazemos em sala de aula.

Através de muitas leituras e de uma reflexão mais profunda, conseguimos identificar os prós e os contras de cada teoria, decidindo, assim, qual delas se adequa melhor a nossa realidade na escola.

'O aluno constrói o conhecimento da língua escrita, portanto, mais importante do que saber como se ensina, é saber como a criança aprende' (KLEIN, 2002, p. 93). Não devemos analisar apenas a nossa prática, mas também estudar o processo de aprendizagem da criança como um todo.

De acordo com os principais teóricos, tais como Piaget, Wallon e Vygotsky, podemos conceber a ideia de que o ser humano constrói seu próprio conhecimento a partir de uma interação com o mundo externo  cultura, linguagens e pessoas.

Podemos, então, observar que a aprendizagem acontece de maneira interativa, surge na interação dos(as) nossos(as) alunos(as) com a cultura e acontece também através do diálogo com as pessoas. No caso da escola, tal interação se dá: com os colegas de turma, com o(a) professor(a) e com os materiais pedagógicos.

É muito difícil para nós  professores(as)  definirmos uma prática 'certa' aliada à teoria, geralmente a prática deve ser utilizada de acordo com o modelo de nossa sala de aula  prestando atenção nas suas maiores dificuldades e nos seus pontos positivos."

Viviane Maria Ferreira Faria é formada em Pedagogia (UEPB – UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA) e especialista em Linguística (FIP – Faculdade Integradas de Patos). E-mail para contato: vivianef_20@yahoo.com.br

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