quinta-feira, 7 de maio de 2009

Minha experiência com alfabetização de adultos

Alguns anos atras, fui até a Secretaria de Educação Municipal e me voluntariei para o programa ALfabetização Solidária. Estava nos primeiros anos da faculdade, não tinha experiência nenhuma em ministrar aulas ou algo do tipo, mas tinha vontade de fazer algo que realmente pudesse ajudar alguém.

As aulas era às sextas-feiras à tarde em uma sala improvisada do Passeio Público de Curitiba - este lugar é como se fosse um mini-zoológico apenas de várias espécies de pássaros. Meus alunos eram 4, sendo que 1 deles sempre dava um jeitinho de faltar, que estavam lá para alfavetização, ou seja, não conheciam nem as letars do alfabeto. Nunca soube ao certo suas idades, mas com certeza estavam entre 40 e 50 anos.

Dividíamos esta sala com mais uma turma, esta tinha aulas com matérias de 3 e 4 série mais ou menos, aprendiam operações básicas de matemática e já sabiam escrever e ler bem, mas a faixa etária era quase a mesma. Essa divisão de classe não tinha paredes ou biombos... eu fica na grande mesa da metade para trás da sala com meus alunos e a outra professora - bem mais experiente que eu - ficava na metade da frente, e tinha o "privilégio" de poder usar o quadro-negro.

Ela me ensinou várias coisas, aliás, tudo. Fui aprendendo e executando simultaneamente. Trabalhava com letrinhas coloridas de borracha que ela me cedia, eles ganhavam cadernos, lápis, apontador e borracha.

Foram alguns poucos e bons meses. Preciso confessar que algumas vezes reclamava de ir (eu pensava que como eu não trabalhava ainda, iria perder a tarde de sexta-feira dando aula ao invés de ir ao cinema, completamente RIDÍCULA!). Ainda lembro destas tardes com muita saudade...

Fazíamos lanche, um intervalinho porque ninguém é de ferro né? E sabe que mesmo sendo pessoas de baixo poder aquisitivo, sempre cada um levava alguma coisinha - inclusive nós, professoras, levávamos também. Passei meu aniversário com eles. Caiu bem na sexta. E não é que eles levaram bolo, salgadinho, refrigerante... fizeram uma festinha pra mim! E na hora de me dar os parabéns? Eles morriam de vergonha de me abraçar!

Um deles me marcou mais: o Seu Tadeu. Ele tinha mais dificuldade em aprender, era muito tímido, fechava-se em si. Mas era muito aplicado. Aliás, todos eram, não posso deixar de falar. Se esforçavam para fazer as tarefas que eu passava para casa, como procurar palavras no jornal que começassem com FA.

O trabalho é árduo, pois eles já passaram a vida toda sem saber o significado de nada... Até perguntei como eles faziam para pegar o ônibus, comprar coisas no mercado... "Decoro a imagem, o tamanho da frase", essa foi uma das respostas... E uma vez por semana só não é o suficiente! Cada dia parecia que tinha que voltar tudo - nesta caso, é preciso ter muita paciência e graças a Deus isso não me faltou.

Tive dois momentos marcantes: a primeira vez que o Seu Roberto escrevu sua primeira palavra sozinho (FACA) e o dia em que precisei me despedir. Ah, esse sim, só de pensar me dá vontade de chorar... escrevi um bilhetinho no caderno de cada um deles : "Espero que um dia você possa ler sozinho este bilhete." Essa foi uma das frases que deixei pra eles e espero realmente que eles tenham conseguido... Deixei marcado meu carinho... E eles também demonstraram o seu por mim, ficaram tristes de eu ter de ir... Ai acho que não consigo mais escrever, vocês podem imaginar... Me emociona muito lembrar...

Bom, era essa experiência linda que eu gostaria de dividir com vocês. Tenho pensado muito em voltar para esta área, e acho que ainda este ano volto mesmo. Tomara! E quem puder, atue como alfabetizador de adultos, é completamente recompensador.

4 comentários:

  1. Olá... a pouco tempo faço parte da Igreja Batista Nacional – IBN em minha cidade, Alta Floresta-MT. Estamos na busca de orientações, sugestões, dicas para evangelização. Estou auxiliando no Ministério de Louvor e em um novo projeto direcionado à alfabetização de adultos.
    - No projeto de alfabetização de adultos estou procurando auxilio para elaboração/troca de material direcionado a este fim, contudo, a alfabetização será feita utilizando a bíblica, como por exemplo, ao ter aula de português os professores ao ministrarem as aulas abordaram textos bíblicos e, assim sucessivamente nas demais matérias.
    - Trata-se de um trabalho feito por voluntários da igreja com o fim de, ao oferecer a alfabetização, melhorar a vida das pessoas, que não tiveram a oportunidade de estudar e, ter uma profissão melhor e mais digna.
    - Do exposto acima, caso possa ajudar, de qualquer forma, mesmo que seja indicando ou mostrando formas de como realizar o acima exposto, por favor, envie para mim e-mail, desde já, agradeço, a atenção. Obrigado, em nome do Senhor Jesus!
    Meu blog: http://batistascrentesnosenhor.blogspot.com/

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  2. Oi Priscila, fiquei emocionada com seu relato, me chamo Shuly Marina,sou professora da EJA ha 9 anos e sei muito bem o que vc sentiu. Todos ano fico imaginando será que vou voltar pra mesma escla e els quando nos vê é uma emoção tremenda. Aquilo que vc falou sofre o seu aniversário e verdadeiro, ja aconteceu comigo varias vezes, mas quem fica sem graça sou eu, kkk, eles são demais amiga, são alunos que vale a pena ter. Amo meus alunos e não troco eles por nada na escola, nada mesmo. Espero que um dia vc volte a ter essa experiencia que é fantastica, conte comigo viu, beijos da sua nova seguidora SHULY MARINA

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  3. Priscila vc poderia colocar seguidores no seu blog nem, beijos shuly marina
    http://ejanasuavida.blogspot.com/
    ou
    http://deventoempopaflores.blogspot.com/

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  4. Priscila, parabéns pelo seu trabalho. Significa muito para o seu País. Estou a meses tentando inscrever uma pessoa que trabalha para mim no Projeto Brasil Alfabetizado, mas não consegui, as informações eram imprecisas, incorretas e finalmente agora, me comunicaram que as inscrições foram encerradas... Estou muito triste e gostaria de ao menos de presentear a referida pessoa com um DVD, algum material de alfabetização adulta ou até mesmo uma professora particular para alfabetizá-la. Se houver alguma indicação, ficaria muito agradecida.
    Att.
    Aline de Castro.

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