quarta-feira, 20 de maio de 2009

A linguagem utilizada nos textos publicitários

Como prometido... Aí vai um bommm trecho da minha monografia que trata sobre o teme "As diferentes linguagens utilizadas nas campanhas publicitárias". Como havia falado, utilize anúncios em suas aulas para falar sobre Português, explicando as regras gramaticais, tipos de textos, etc. Peço a gentileza de que, se por acaso alguém for utilizar este material, cite fonte ok? Priscila Conte e o tema da minha monografia...

"Os textos publicitários devem adequar-se a vários fatores característicos da linguagem de seu gênero, como usufruir da personificação do produto; do individualismo criado para que o receptor aja pensando em si; da linguagem autoritária, imperativa, a qual visa fazer com que o receptor se convença de que realmente precisa daquele produto.

Outros pontos também são marcantes na caracterização da linguagem publicitária, como as várias qualidades do produto descritas pelo texto publicitário e a não-utilização da argumentação.

Os textos publicitários apresentam-se sempre com os elementos não-verbais, como os desenhos, fotografias, cores e formas gráficas diferenciadas, retomando, assim, a mistura da linguagem verbal (letras, palavras) com a não-verbal.

Martins (1997, p.47) considera que, além da originalidade, a linguagem publicitária precisa ser eficaz e expressiva. Essa expressividade, segundo o autor, 'é o ato de representar ou comunicar por meio de formas lingüísticas impressões subjetivas, pensamentos, emoções e intenções', podendo manifestar-se através dos aspectos fonológicos; morfológicos; sintáticos; de simbolismos semânticos, ou seja, figuras de linguagem; da pontuação e sinestesias. Esses elementos presentes nas campanhas publicitárias ajudam na venda do produto e, principalmente, na consolidação da marca no mercado.

Aspectos fonológicos

Neste tópico são englobados a rima, o ritmo, a aliteração, encontros vocálicos e consonantais, onomatopéias, etc. A função de cada uma delas, seja dentro do texto publicitário ou de qualquer tipo de texto, é a de reter a atenção do leitor/receptor da mensagem, colocando em destaque a busca pelo 'prazer estético', citado por Sandmann (1997, p.56), o qual faz com que o receptor memorize a mensagem. Ou seja, no caso da publicidade esses elementos levarão ao consumo do produto exposto.

Além disso, como citado por Martins (1997, p. 48), esses elementos estimulam sensações e a visualização do produto, provocando representações mentais que aumentam os resultados positivos de uma campanha.

A rima caracteriza-se pela repetição de sílabas no final ou meio de frases. Exemplos de rimas são também citados por Sandmann (1997, p. 57), 'No Condor comprou, girou, ganhou.' E 'Espelho, espelho meu, veja essa blusa como se usa. E como esse tomara-que-caia combina com a minha saia.'.

O ritmo aparece quase sempre com a rima, pois configura-se também como a repetição de palavras ou sons em tons fortes e fracos. Geralmente, as frases são acompanhadas pelos três elementos, rima, ritmo e aliteração, como no caso “'A força do novo. A força do povo.'.

Já a aliteração possui repetição de fonemas, estabelecendo relação entre sons e efeitos fônicos com o texto como em 'Moda Moldes. Tudo na moda. Tudo com Moldes'.

Aspectos morfológicos

Esses aspectos, segundo Sant’Anna () têm como função despertar a atenção do leitor/consumidor através do uso de superlativos, diminutivos, palavras-montagem; da utilização de verbos em vários tempos e modos, como em 'Eu queria um pouco de atenção, agora' em que o tempo imperfeito do verbo passa a idéia de pedido. Também aparecem as formas de tratamento mais afetivas e próximas ao consumidor e o jogo de palavras, como trocadilhos, rimas e ambigüidades.

Aspectos semânticos

Neste ponto temos as figuras de linguagem, como metáfora, metonímia, onomatopéia, antítese, hipérbole, ironia, eufemismo, etc. Aqui também podemos destacar a ambigüidade e a polissemia usadas, principalmente, nos títulos e slogans.

O slogan 'Perdigão, qualidade que se prova' mostra duas possibilidades de interpretação para a palavra prova: no sentido de experimentar e no de atestar. Essa forma é chamada de ambigüidade e é de fundamental importância na publicidade por levar o consumidor a pensar sobre os significados presentes no slogan. Assim, a marca fica marcada pelo consumidor, que pode vir a adquirir o produto.

A polissemia, segundo Sandmann (1997, p.76) trata de palavras que possuem a mesma origem lexical, mas com diferentes significados, por exemplo, verde, que pode ser a cor ou o estado de um alimento; um alimento que não está maduro.

Aspectos sintáticos

A simplicidade estrutural, topicalização, coordenação, paralelismo, assim como simetria e combinações estilísticas, além de muitos outros, são elementos da parte gramatical que se dedica ao estudo das combinações e funções da palavra nas frases e orações, ou seja, a sintaxe. Esses aspectos ganham destaque dentro da linguagem publicitária.

Segundo Sandmann (1997, p.68), o primeiro elemento, a simplicidade estrutural, aparece muito na forma de manchetes publicitárias que utilizam as marcas dos produtos, quando as frases aparecem sem elementos de coesão, por exemplo, 'Arapuã. Vem que tem'.

Quando precisamos dar importância à determinada palavra em uma frase, utiliza-se da topicalização que é a troca de posições das palavras dentro da frase.

Ao observarmos a repetição de palavras no mesmo slogan temos o paralelismo que, de acordo com Sandmann (1997, p.70), representa 'empatia, identificação, automaticidade, simplicidade' do leitor/consumidor com o texto.

A simetria também consiste em repetir as palavras, ou seja, é a 'figura que consiste em repetir, numa frase, palavras da anterior, mas em ordem diversa e com acepções diferentes' (apud dicionário Aurélio, Sandamnn, 1997, p.71).

Pontuação

A pontuação recorrente em textos publicitários, segundo Faraco e Tezza (2003, p. 157), é ligada a linguagem utilizada, a imperativa. Dessa forma, pontos de exclamação podem ocorrer neste tipo de texto.

Outro tipo de pontuação, em aspecto geral, é o ponto final, que tem como função separar 'sentenças sintaticamente autonômas' (Faraco e Tezza, 2003, p.110).

Também aparecem pontos de interrogação, que chamam a atenção do leitor/consumidor para o que está sendo dito anteriormente.

Sinestesia

'Sharp é imagem do som e som da imagem.' Esse é um exemplo claro de sinestesia. Essa figura funciona como uma metáfora que relaciona diferentes tipos de percepção, ou seja, atribui a um sentido, por exemplo, a voz, a outro, como o olfato. “A tua voz perfumava o ambiente.” (Tufano, 1998, p.54) "

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3 comentários:

GESTAR II CABO FRIO disse...

Olá Priscila
Estou colocando seu link no blog do gestar em Cabo Frio.
As últimas matérias estão excelentes!
Parabéns
Bethe

Daniel disse...

Priscila pq e importante colocar adjetivos nos textos publicitario?

Violeta Müller disse...

Olá,
estou escrevendo sobre linguagem publicitária, tu tens livros pra me indicar?