sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Distúrbios de aprendizagem - Dislexia

Um texto da pedagoga, especialista em Educação, mestre em Bioética, com curso de formação em Dislexia pela ABD, Fernanda Carvalho, para nos falar um pouco mais sobre o tema. Acompanhe.

Nem melhores, nem piores: disléxicos!

A palavra dislexia, de origem grega (dyz. - não e lexia - ler), designa um conjunto de dificuldades na aquisição da linguagem (na leitura, escrita e concentração) e atinge cerca de 5% a 17% da população mundial.

Ela não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição socioeconômica baixa ou déficit intelectual; nem pode ser considerada uma doença.

Até agora, os pesquisadores ainda não determinaram suas causas precisas, mas já se sabe que ela tem ligação com a hereditariedade, que há maior incidência em meninos e que ela é responsável por alterações no padrão neurológico, levando a dificuldades na leitura, compreensão, decodificação e interpretação de textos. Crianças disléxicas, muitas vezes, têm pais, tios ou avós com o problema.

São sintomas da dislexia na infância: atraso para andar e/ou falar; dificuldade para memorizar músicas infantis; pintar ou desenhar fora do limite estipulado; dificuldades em separar sílabas e lidar com os sons na fala; não decorar a tabuada; letra feia e de difícil compreensão; dificuldades na lateralidade; lentidão na leitura e interpretação de textos.

Por desconhecimento e pela nomenclatura soar como “nome de doença”, o termo dislexia causa medo ainda hoje especialmente entre os pais que acreditam ser ela a causadora de danos irreparáveis à vida e ao desenvolvimento de seus filhos, o que não é verdade.

O distúrbio pode ser percebido por pais, professores ou profissionais especializados já na fase de alfabetização, mas alguns sintomas podem ser notados antes mesmo de a criança ir para a escola. Uma vez identificada, seu diagnóstico é multidisciplinar e feito por exclusão.

Muitas pessoas apresentam problemas durante toda a vida escolar, sendo rotulados e até desistindo de estudar; convivem com o problema sem saber o porquê dos constantes erros de português ou da leitura ser tão ruim. Descobrir-se disléxico geralmente é um alívio, tanto para a pessoa quanto para seus familiares.

Não há cura, mas se identificada precocemente, na infância ou adolescência, seu tratamento é mais fácil, o paciente pode até obter “alta” da fono ou psicopedagoga. Já na idade adulta, normalmente além do tratamento usual, é comum o encaminhamento para terapia, pois os danos à auto-estima de quem a possui são bastante significativos.

A dislexia está em evidência no horário nobre global, na novela “Duas caras”, onde a personagem Clarissa, disléxica, vivida pela atriz Bárbara Borges, luta para entrar na faculdade de Direito e para isso conta com a ajuda de sua mãe.

O final feliz de Clarissa está longe de ser irreal, pois pesquisas sobre o assunto comprovam que ser disléxico não é sinônimo de ignorância ou de dificuldades de aprendizado em todas as disciplinas. Se trabalhado adequadamente, ele pode não apenas se dar bem na escola como os demais alunos, mas até se destacar em alguma área em especial.

Há exemplos de disléxicos famosos e bem-sucedidos nas mais diversas áreas: Tom Cruise, Orlando Bloom e Whoopi Goldberg (atores); Agatha Christie (escritora); Pablo Picasso (pintor); Charles Darwin e Albert Einstein (cientistas); George Washington e Franklin D. Roosevelt (presidentes americanos); Cher (cantora), etc.

Orlando Bloom (ator) credita boa parte de seu sucesso à dislexia, pois por não se sair bem nos trabalhos escolares, mas muito bem em artes, escolheu a atuação como profissão. Ele sempre teve que trabalhar dobrado para chegar ao mesmo lugar que outras pessoas chegavam com muito mais facilidade, por isso “superprepara-se” até hoje para os testes e para a memorização/preparação de seus papéis.

Notem a falta de exemplos brasileiros entre os disléxicos famosos. Será que eles não existem aqui? Claro que existem, mas o conhecimento e o diagnóstico do distúrbio são ainda muito recentes por aqui.

Diante desta realidade, a iniciativa da Rede Globo em retratar o transtorno em uma novela, de forma séria e não estereotipada, é digna de aplausos, pois ainda há muita gente que desconhece o assunto e esse pode ser um dos caminhos de se dar maior visibilidade à dislexia, fazendo com que os telespectadores conheçam, entendam e sejam capazes de identificar os sintomas da dislexia, pois o conhecimento é o primeiro passo para a inclusão e o respeito ao disléxico.

2 comentários:

  1. Olá Priscila, primeiramente obrigada pelos recadinhos em meu blog. Agora referente ao assunto Dislexia já tive um aluno, cuja manifestação se dava ao escrever e principalmente ao ler um texto, trocava letras e devido a isso muitas vezes se negava a ler.
    Infelizmente esse é um problema que muitas vezes os próprios pais usam como pretexto para "ajudar" o filho a encobrir as responsabilidades que tem como estudante, tratando-os indiferente, como coitadinhos. Vejo isso como algo muito grave, pois atualmente muitos pais vem deixando a cargo da escola papéis que na verdade seriam deles próprios, mas que devido ao escasso tempo presente na vida do filho, acaba sobrando para nós professores e todo o corpo docente da instituição.

    ResponderExcluir
  2. Olá Priscila
    Foi um enorme prazer encontrar seu comentário. Fiquei muito feliz!!!
    Sou Professora de Matemática e amo o que faço. Adorei o tema dislexia pois pretendo me especializar em discalculia.
    Seus textos são excelentes.
    Obrigada pelo apoio.

    ResponderExcluir