quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Enem: o que você achou, professor?

Depois de tanta confusão, finalmente neste último final de semana o ENEM conseguiu ser realizado. Apareceu até um gabarito errado no domingo, mas na segunda tudo foi consertado. Encantado, mas parece que deu tudo certo.

Saiu também uma lista de instituições que vão utilizá-lo neste link (clique aqui). Acho que os resultados vão demorar muito para sair e isto prejudicará muito as intituições e principalmente os alunos.

E você, professor, o que achou deste ENEM? Como estavam as questões das provas para você? Elas realmente avaliam a interpretação dos alunos?

Deixe aqui seus comentários a respeito das provas! Espero seus comentários!

Até

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Educação 2010 - Temas Transversais

Estou em dívida mais uma vez, mas gostaria de dividir com vocês mais uma alegria: o próximo livro Educação 2010 - edição especial 5 anos ficou pronto. Conseguimos finalizar o projeto estas semanas que fiquei longe daqui, então tenho um bom motivo mais uma vez certo? ; )

O trabalho está lindo e das 5 edições, para mim, esta é a melhor. Cada texto muito bem escrito, interessantíssimo. Confesso que me surpreendi este ano - textos além, muito além, de minhas expectativas.

Grandes nomes também participaram, como nosso convidado há alguns anos Cristovam Buarque, Célio Müller, Mara Gabrilli, Jean Wyllys, José Pacheco e José Vicente, Débora Cabral, EdSoul da CUFA de Florianópolis, nossa, vários autores!

Este ano estamos com a temática central Temas Transversais, por isso de tantos nomes novos, que você - que nos acompanhou em outra edição - não havia visto. O livro trará alguns projetos que deram certo e que foram selecionados a partir do Concurso Cultural Meu Projeto é Nota 10, que divulguei aqui no blog.

É isso. Estou tentando colocar aqui uma materia sobre as Pulseiras do Sexo que os adolescente têm usado desde ontem, mas não estou conseguindo. Até semana que vem acho que dá.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Gestor de gestores

Este texto foi publicado no livro Educação 2009 (e aqui está relacionado meu sumiço esta semana: a finalização do livro Educação 2010 - edição especial). É também uma forma de agradecer meus leitores aqui do blog e do JV que são de Portugal. Obrigada pessoal!

"Reflexões em torno das implicações do novo sistema de gestão escolar português nas competências dos gestores escolares: treinar para gerir.

Quando um aluno se inscreve numa escola do ensino secundário , fá-lo na certeza de que frequentará um curso que sirva a sua felicidade, fá-lo incentivado pelos seus encarregados de educação, tantas vezes possuidores de pouca instrução, esperançados de que a educação seja uma garantia de um futuro próspero. Uma vez no curso, integra uma turma. O currículo que frequenta não é exactamente igual ao dos restantes alunos, pois os professores podem adaptá-lo às características das turmas. Esta gestão curricular é alicerçada em princípios definidos pela escola e pelo Estado, orientações que pretendem aproveitar as mais-valias locais em favor da qualidade de ensino. Assim, os professores são os primeiros gestores que os alunos conhecem, pessoas que os devem inspirar e treinar sobre os objectivos da escola, reconstruindo-os com eles. Por isso, os professores e os alunos devem ser inspirados e treinados.

A operacionalização dos grandes princípios da escola ocorre no seio do Conselho de Turma, órgão em que se reúnem os docentes que leccionam a mesma turma e que é coordenado pelo Director de Turma, elemento fundamental na ligação entre a escola, professores, alunos e pais, responsável de gestão intermédia, gestor da imagem da escola, de expectativas, de professores e de conflitos. Deve inspirar para a visão curricular da escola. Por isso, deve estar inspirado e treinado.

No novo modelo de gestão escolar, as grandes decisões pedagógicas são tomadas por agrupamentos de professores de áreas científico-pedagógicas semelhantes, os departamentos curriculares, coordenados por um docente com assento no órgão pedagógico de excelência da escola, o Conselho Pedagógico (que é presidido pelo director da escola). É neste órgão, com a contribuição de todos os outros, que deve nascer a visão estratégica da escola, aquela que retrata os caminhos consensuais a tomar, que traduz o que se pretende para o futuro da organização e para cada um dos alunos. É também o órgão que delibera sobre os cursos a oferecer.

O Conselho Pedagógico é constituído por professores titulares , escolhidos pelo director da escola. São, portanto, portadores da sua confiança, supostamente receptivos a inspiração e a treino.

Quanto ao corpo docente, é de salientar que os professores são colocados nas escolas através de concurso público, onde imperam dois factores: a classificação do candidato no curso que o habilita para a docência e o tempo de serviço. O gestor/director nunca sabe se o docente que recebe na escola tem, por exemplo, 10 anos de experiência ou uma experiência repetida 10 anos . A gestão de recursos humanos inicia-se apenas após a colocação dos docentes. O gestor não pode contratar os docentes com um determinado perfil, mas pode afectar os professores a um serviço, segundo o seu perfil de competências. É de salientar que, em Portugal, o corpo docente é estável: em regra, os docentes permanecem pelo menos 3 anos na mesma escola.

O contexto é então o seguinte: o gestor escolar recebe professores/gestores com os quais é necessário construir, técnicos empenhados e interessados, mas que enfrentam dificuldades. O grande número de alunos por turma, o distanciamento dos pais relativamente à educação dos filhos, a imagem social negativa da profissão, a indisciplina, as excessivas tarefas administrativas e a realização de tarefas que exigem competências para lá das de ensino (como a coordenação de grupos) são alguns dos factores geradores de stress docente . É com esses docentes/gestores que o director/gestor escolar estrutura, por confiança, o funcionamento da organização.

Pessoalmente, sei que muitos professores julgam que há reuniões em excesso, encontros dos quais não se tira proveito. Eu vejo potencialidades: vários espaços de construção nos quais podemos ser mais eficazes. Por vezes, é difícil discutir a escola com os colegas professores. Note-se bem: todas as acções dos docentes são regidas pelas suas crenças, pelas suas ideias, pelos modelos que adoptaram. Alguns gestores podem achar que não há tempo para construir visões ou ideias, para debater a escola que há-de vir. Nada mais errado. As ideias gerem a escola: as ideias dos professores, que são gestores do currículo e inspiram os alunos; as ideias dos docentes/coordenadores, que influenciam os colegas. Por isso, debater, discutir, criar consensos e caminhos comuns é um acto de boa gestão: traz à superfície ideias que, de outra forma, seriam resistência ou boas intenções mal-entendidas, permite clarificar as dificuldades e envolver pessoas. Nunca conheci um professor que não quisesse o melhor para a escola e para os seus alunos. Também nunca conheci um professor com ideias exactamente iguais às minhas. Mas conheço muitos professores capazes de rever os seus modelos e de sintetizar melhores métodos a partir de ideias edificadas em comum.

Em suma, parte do dia-a-dia do gestor é… gerir gestores, técnicos responsáveis por implementar, com eficiência e eficácia, a visão da escola, pessoas a quem é pedido que colaborem, que trabalhem em grupo, que conheçam a escola e o contexto envolvente, que tomem decisões, que façam a gestão de currículos, pessoas, inovação e recursos.

Por isso, como efeito do modelo de gestão escolar português , o gestor escolar, aquele que decide os papéis que os professores ocupam (o que inspira), é sobretudo um treinador, uma pessoa que influencia e ensina, que colabora e exemplifica, que faz crescer a organização e faz crescer as pessoas da organização."

Nuno Silva - Vice-presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária de Montemor-o-Novo - Montemor-o-Novo – Portugal.
nunosilva.av@hotmail.com

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Moradores decidem o que aprender

Reportagem do Jonral Gazeta do Povo, publicada hoje, dia 13.11.09 (acesse aqui).

Uma comunidade se reúne, discute e decide o que aprender, na área em que desejar. A mobilização parte da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep-PR), por meio do Sesi e do Senai, que viabilizam parcerias para colocar em prática os anseios da população na área de aprendizagem. São arranjos educativos locais (AEL) que visam promover o desenvolvimento sustentável em diferentes regiões, a partir da educação. Duas ações em caráter experimental ocorrem no município de Campo Largo, região metropolitana, e no bairro Portão, em Curitiba.

A estratégia é semelhante à usada no ramo industrial, chamada de arranjo produtivo local. Foi a solução encontrada para a crise pela qual o setor passou após a década de 70. Um arranjo produtivo é a aglomeração de empresas de uma mesma região, que atuam numa atividade produtiva comum, junto com empresas complementares e correlatas.
Conselheiros são renomados

De acordo com o superintendente do Sesi-PR, José Anto­nio Fares, a prática tornou-se usual em todo o país e a ideia é usar o modelo na educação. Pessoas da própria comunidade, identificadas em escolas, associações e igrejas, são reunidas para mostrar as necessidades educativas daquele local.

Os arranjos educativos rompem com o modelo tradicional pedagógico imposto pela educação formal. Têm funcionado em várias cidades do país como forma de promover o desenvolvimento sustentável de comunidades pobres. Geralmente são viabilizados por entidades do terceiro setor (ONGs). É a primeira vez que o sistema “S” está à frente de uma mobilização deste porte e o foco não está apenas em locais de baixa renda. “A aprendizagem ocorre de forma mais efetiva e vai ao encontro das práticas do cotidiano do ser humano”, diz Fares.

Embrionário

O projeto no Paraná começou há cerca de quatro meses no município de Campo Largo. Cerca de 200 pessoas da comunidade estão envolvidas, sendo que 12 jovens estudantes de escolas públicas e privadas passaram a receber oficinas de capacitação de comunicação. O curso está apenas na segunda semana. Mas os jovens têm a expectativa de promover a divulgação de todos os eventos culturais que ocorrem na cidade.

As aulas são ministradas pela jornalista e professora universitária Gesline Giovana Braga, que mora na cidade. Ela explica que os estudantes ainda terão aulas de fotografia e no fim das atividades, em dezembro, irão desenvolver programas para um rádio poste, que vai fazer parte de uma ação cultural viabilizada pelo projeto.

Até lá, vários meios de comunicação estão sendo experimentados. Os estudantes do ensino médio Thaísa Mariane de Souza e Luccas Martins Fonseca aprendem a criar um blog e fazer perfis em redes sociais, como o Twitter. “Para mim é uma experiência nova, nunca tinha trabalhado com ação social”, afirma a estudante.

O analista técnico do Senai Ângelo Guimarães Simão, que faz parte da equipe do arranjo educacional de Campo Largo, explica que a iniciativa busca envolver a comunidade local, por isso a preferência por aproveitar a experiência de uma jornalista que mora na cidade. Simão ainda ressalta que outra ação na área cultural está sendo viabilizada, além da criação de um Fórum de Gestão pela própria comunidade. “É dele que vai sair a identificação das outras necessidades para mais ações”, diz.

No bairro Portão, o lançamento do arranjo educativo ocorreu há cerca de 20 dias. Arranjadores sociais, que irão mobilizar a comunidade, ainda estão sendo identificados. Interessados em participar como voluntários ou parceiros podem entrar em contato pelo site www.fiepr.org.br.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Você é ou está professor? - Final

A percepção de quem faz o recrutamento
A diretora educacional do setor de educação da Província Marista do Brasil Centro-Sul, Ana Tereza Spolini, no dia-a-dia do seu trabalho tem a função de orientar pedagogicamente a educação básica e escolher professores capacitados para atuarem nas instituições que congregam a Província. No momento da contratação de um professor, ela conta que procura o brilho no olhar, a emoção na voz e o discurso empolgante. “Se há uma certa inquietude corporal, se a referência aos alunos e a seus familiares é feita com cuidado e respeito, então, as chances de esse profissional ser e não estar professor são muito grandes. Acompanhe entrevista:

Como detectar numa entrevista de trabalho se o profissional “é” ou “está” professor?
É comum se observar distâncias entre o que alguém fala e o que ele é. Geralmente, o que se é como professor e o saber pedagógico que se tem manifesta-se pelas ações. Nesse sentido, é preciso prestar muita atenção a indicadores, que não necessariamente estão explicitados no discurso. Com a fala acompanham vários sinais não-verbais. Então, é preciso saber ler esses sinais, essa outra forma de expressão. É preciso saber ouvir o não dito, o inaudível, o invisível. Na minha experiência, procuro “ouvir” a paixão pela profissão, pelos alunos, pelo saber. “Ler” outras linguagens. O nosso corpo manifesta o que sentimos. O olhar, o tom da voz, o peso nas palavras, os gestos, os silêncios são focos de minha atenção. Assim, se o “olho brilha”, se a fala fica mais empolgante em algum momento e se há emoção na voz, então as chances de esse profissional ser e não estar professor são muito grandes.

E no dia-a-dia em sala de aula?
No dia-a-dia, a melhor forma, ao meu entender, é a de acompanhar a relação do profissional com os alunos e com o saber, a gestão da aula. O planejamento das atividades, o não se contentar apenas em verificar o que vai “dar” no dia, mas se preocupar bem mais com o sujeito que vai aprender a “matéria”, conhecer bem as crianças ou os adolescentes, seus momentos psicológicos, seus interesses, suas dificuldades são bons indicadores. O “ser” professor também pode ser notado no processo de aprendizagem. Se houver vínculo, se houver compromisso entre professor e aluno e seus familiares, provavelmente a aprendizagem se dará de forma mais natural. Enfim, afirmar se alguém “é” ou “está” professor requer convivência, partilha, observação.

Quais características são avaliadas no processo de seleção?
Há de se verificar competências relacionadas à leitura, à escrita, à comunicação oral. Os motivos pelos quais alguém quer trabalhar nessa área devem ir além “do gostar de crianças ou de adolescentes”. É fundamental saber, ainda, como a pessoa poderia ser um profissional “diferente”, com que modelos gostaria de romper, qual sua preocupação com as problemáticas atuais da humanidade. Costumo pedir relatos de experiências que deram certo e que não deram certo. Percorrendo os argumentos é possível analisar como o candidato lida com problemas, suas iniciativas, seus modelos de relacionamentos.

Qual a sua definição para aquele que “é professor”?
É o profissional que faz da docência sua opção primeira, a escolha com predileção e convicção, vocação, “dar certo”, acreditar na educação. Realiza satisfatoriamente a dimensão menos interessante da profissão (burocracias, por exemplo) com responsabilidade e autonomia por acreditar fazer parte integrante dos processos pedagógicos. Para esse professor, a aula é desejada, cada turma é desejada por ser única, o saber é desejado por ser intrigante, os pais são desejados e entendidos como parceiros. A reflexão com seus pares, o estudo, a investigação são desejados. Há uma força energética que mantém o entusiasmado acima do cansaço, a esperança acima das dificuldades, a procura acima de todas as respostas.

E “estar” professor?
Em geral, esse profissional apresenta dificuldades para cumprir as desdobras da profissão. Tolera a sala de aula, a aula que precisa dar. Esse sentimento de tolerância ocupa o espaço da esperança. Está sempre ligado em outras possibilidades profissionais, por isso, não se entrega totalmente ao seu ofício de mestre. Não constrói vínculos. Não tem disposição para melhorar a profissão, faz o mínimo, não é generoso. Formam esse grupo dois tipos de profissionais: os que sabem estar aí por conveniência e os que acreditam ter a vocação. Nesse segundo caso, o gestor precisa ajudá-lo a perceber-se como alguém que deve partir para novas buscas profissionais. Ajudar a “auto-avaliar-se”.

Como o aluno se beneficia com aquele que "é” professor?
A probabilidade de estabelecer vínculos afetivos é maior. O aluno tem no professor um guia, um orientador. Acredita nele. Sente no professor a paixão de ensinar e a paixão pelo saber e se deixa contagiar. Motiva-se, interessa-se pela sua disciplina, pela função que a escola representa para ele. Aprende mais e se modifica. Procura-o nas horas incertas. Confia nele. Admira-o. Sente-se acolhido. Aceita suas exigências porque não há dúvidas quanto às intenções. Muitos alunos dizem: quero ser igual a ele.

Dica de Leitura - Pedagogia da autonomia
O educador e pensador Paulo Freire, na sua última obra em vida “Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa” e que agora será relançada em memória aos dez anos de morte do educador, discute e dialoga com os professores e traz uma contribuição passada com muita sensibilidade e paixão em relação ao compromisso como educador. Paulo Freire enfatiza a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa. Ele ressalta o quanto um determinado gesto do educador pode repercutir na vida de um aluno e da necessidade de reflexão sobre o assunto, pois segundo ele ensinar exige respeito aos saberes do educando.

*Os créditos do texto estão no post parte 1.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Você é ou está professor? Parte 2

Os tipos de professores nas IES
A professora de Filosofia da Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Doroti Martins, avalia os diferentes tipos de docentes das universidades. Para ela há basicamente duas figuras. O primeiro é aquele educador de fato, que se preocupa com os alunos, que dialoga, tem conhecimento “fantástico” na sua área específica e se preocupa com a questão pedagógica. “Esses são excelentes mestres”, diz. No entanto, ela avalia o outro estereótipo que procura a academia não com a mesma dedicação e competência que cabe na atuação como professor, mas porque o seu maior objetivo ali é pela pesquisa. “Como o Brasil é um País que não investe em cultura, um dos únicos lugares que resta para desenvolver a pesquisa é permanecer nas universidades, principalmente, as públicas”, avalia Doroti, que já foi secretária de educação do município de Florianópolis.

O professor de escola pública
Ela cita, ainda, outros professores, como aqueles que ensinam por conta do status ou procuram a segurança financeira. A busca pela estabilidade é um ponto forte de professores que procuram a rede pública, mas segundo Doroti, é visível o grande número de educadores que fazem questão de trabalhar nestas escolas por princípio e compromisso com o serviço. “As condições de trabalho na escola pública estão num nível de deteriorização absurdo, o alunado possui um grau de complexidade muito maior”, diz.

Ela explica que os contratos desses professores acabam se limitando às horas/aula em sala de aula, não permitindo pagamentos extras de hora atividade para o professor planejar e programar as suas aulas. “Esses professores, sim, que passam por todos esses problemas, seguramente ‘são professores’, independente se busca nestas escolas a estabilidade”, afirmou.

O profissional liberal
Já os profissionais liberais, que procuram a docência para receber um extra a mais ou porque não conseguiram colocação no mercado de trabalho, esses “estão professores”, na opinião de Doroti e não podem ser chamados de educadores no sentido pleno da palavra. “É uma questão estrutural no mundo do trabalho, não são educadores”, diz.

“Para ser grande é preciso ser inteiro”
O professor de Inglês do Colégio São Luís, em São Paulo, José Garcia Ghirardi, começou a lecionar aos 23 anos. Antes disso, achava que a sua vocação era para ser advogado. Já nos primeiros anos nesta carreira, percebeu que não era bem aquilo que queria para a sua vida. A docência apareceu na sua vida por acaso, quando no Colégio São Luís, foi cobrir como professor substituto numa situação emergencial e nunca mais saiu. Já são 21 anos na mesma instituição. “Me senti tão à vontade em sala de aula, neste dia, que resolvi apostar na carreira de professor”, conta.

Por aí não se tem dúvidas que Ghirardi “é” professor e neste processo ele diz que trabalha sempre visando o coletivo. “A aula não é só o professor. A aula é a história dos alunos que está acontecendo. O professor tem que perceber que a aula tem uma significação humana para os alunos.”

Para ele, “ser” professor é diferente de “estar” professor, principalmente, no que tange respeitar a diversidade de seus alunos. “Todo ser humano possui características diferentes e é importante que a escola acolha esta diversidade, não tem forma para ser professor, como não tem forma para ser aluno”. E quando Ghirardi exerce as suas atividades como professor, ele conta que sempre lembra da frase de Fernando Pessoa: “Para ser grande é preciso ser inteiro”.

*Créditos do texto no post anterior.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Você é ou está professor? - Parte 1

Hoje comecei o dia tão bem... Recebi dois e-mails que provam que eu não estou sozinha em busca de melhores professores, mais conscientes de suas responsabilidades e direitos. Segue um texto publicado na revista Profissão Mestre de Maio de 2007, por Brisa Teixeira. Vou dividí-lo em 3 partes para não ficar muito grande ok?

A paixão, a necessidade, o status, o comodismo, a vocação. Inúmeras razões levam uma pessoa a seguir a carreira de professor. Às vezes procuram por status e acabam se descobrindo apaixonados; outras vezes procuram pela paixão e com o tempo ficam acomodados. Os motivos que levam uma pessoa a ser ou estar professor são inúmeros e as vantagens e desvantagens não param na insatisfação ou realização pessoal de cada um; é o aluno quem vai se beneficiar ou não dessa escolha.

Temos o caso de Heloísa Helena e Geraldo Alckmin, dois políticos candidatos à presidência, que voltaram a lecionar. Como se sabe, eles não alcançaram os seus ambiciosos objetivos, mas estão tranqüilos na nova fase em que se encontram. Agora, se eles são os estão professores, aí só assistindo algumas aulas para saber.

Muitos estão fazendo curso de formação de professores depois de adulto por acharem que nessa área não falta emprego. Há gente séria que tentou antes outras formas de contribuir com a reconstrução de um mundo mais justo e permaneceu pouco no emprego. Você deve, também, conhecer alguém que procurou a profissão porque trabalha menos e ganha-se proporcionalmente mais ou que estudou para fazer concurso para garantir uma estabilidade para o resto da vida.

A diretora educacional da Província Marista do Brasil Centro-Sul – que congrega 16 colégios de várias regiões do Brasil – Ana Tereza Spolini, avalia todos esses tipos de professores espalhados no mercado, mas prefere não generalizar pensando que todos esses são simplesmente aproveitadores dos benefícios de uma profissão. “Já vi profissionais da educação que iniciaram sua vida com base nessas motivações e que se tornaram ‘professores vocacionados’. Com brilho no olho e tudo”, destacou.

Segundo ela, em todos os ramos do trabalho há os que estão nele por conveniência ou por circunstâncias e há os que estão por opção. “Para ensinar crianças e adolescentes, professores são necessários. Professores que são, não professores que estão.”

A diferença a partir da Filosofia
A Filosofia ajuda a entender a questão. Para o filósofo José Roberto Neves D'Amico aquele que "é professor" foi escolhido pela profissão e o que "está professor" a escolheu, talvez pelo "status", pela fantasia do poder que a profissão sugere, ou pela possibilidade de ser uma mera complementação de renda. Ou seja, conclui D’Amico, o "ser professor" é aquele que cativa naturalmente, que se empolga espontaneamente com a possibilidade de proporcionar aos alunos conteúdos que sejam apropriados às suas visualizações. “O aluno deve sair da sala de aula ou dos encontros com os professores, satisfeito com os conteúdos debatidos. Não estamos mais no tempo em que o aluno nada tem de importante a contribuir”, avalia o filósofo.

Na prática, D’Amico acredita que exercer o “ser” professor é extremamente gratificante quando este contribuiu na formação pessoal e, por conseqüência, na formação de outros. Por exemplo, explica ele, o “ser professor” não deve tratar as várias turmas da mesma maneira, mesmo que a disciplina seja a mesma. As turmas são formadas por diferentes alunos e têm interesses e características diferentes. “O ‘ser professor’ deve ter sensibilidade para percebê-las e deve adaptar a disciplina às necessidades e perfil de cada turma, caso contrário, o professor não terá o respeito, a credibilidade e a simpatia devidos perante a turma. Se não o fizer, estará agindo de maneira homogênea, que é o status que o ‘estar professor’ dá às disciplinas que ministra”, diz.

Investigação filosófica
Para a coordenadora do Centro Brasileiro de Filosofia para Crianças e professora universitária e de ensino médio do Estado, Dalva Garcia, esta suposta classificação entre ser e estar não é tão simples quando entra-se no terreno fértil, porém perigoso da investigação filosófica.
“Se tomarmos como referência a filosofia aristotélica, o que chamamos de estado estaria na categoria do acidental e, portanto, distante das afirmações sobre a natureza ou essência das coisas que nos permitiria chegar aos conceitos relevantes ao nosso processo de conhecimento verdadeiro”, diz.

Para ela, se abordar com rigor ou profundidade os fundamentos da filosofia aristotélica fica clara a pretensão filosófica de diferenciar a essência da aparência. “O fato é que esta distinção entre essência e aparência, entre natureza e estado é questionada na filosofia contemporânea”, articula.
O exemplo mais contundente é o de Sartre, segundo ela. Para o filósofo francês, não poderíamos atribuir ao humano uma essência porque "a existência precede a essência". “Na existência, no nosso fazer, nos tornamos o que somos.”

Dalva revela que a solução não seria se lamentar dos acidentes que o "jogaram" na sala de aula, mas pensar com seriedade sobre o que é possível fazer consigo e com os outros diante desse estado de coisas em que se envolveu, também, por escolha. “O cerne desse problema não seria o do ser ou do estar, mas, sim, perguntar com honestidade sobre o que nós estamos fazendo e por que fazemos da forma que estamos fazendo”, afirma.

Para ela, não se trata de classificar quem é professor e afastar da ação educacional quem, por acidente, está professor, mas de refletir, com freqüência, se estando ainda quero ser. “Dessa forma, posso responder que não apenas já estive nas duas situações. Mesmo porque isso é fundamental para repensarmos nossa ação educacional e nossos anseios e perspectivas pessoais e profissionais.”

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Cursos gratuitos no SENAI

Recebi esta nota por e-mail da colega Meier Frangiotti Cesca solicitando divulgação para professores e alunos. O texto é do G1 (cliquem aqui para ver as tabelas de cursos e vagas após lerem sobre o que se trata ok?)

"O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) abre inscrições nesta segunda-feira (26) para 32 cursos técnicos gratuitos em 62 escolas instaladas em 44 municípios do estado (veja lista abaixo). No total são 4.370 vagas, sendo 1.737 na capital, 789 na Grande São Paulo e 1.844 no interior. As aulas começam no primeiro semestre de 2010.

Os cursos têm em média duração de 1,6 mil horas (o equivalente a dois anos), incluindo estágio supervisionado, que é obrigatório.

No ato da inscrição, os candidatos devem apresentar cédula de identidade original e comprovante de conclusão do ensino médio ou documento que comprove matrícula em curso que permita concluir o ensino médio até a data do início das aulas. A inscrição custa R$ 35,00 e inclui o manual do candidato.

O candidato poderá se inscrever em uma única habilitação, exclusivamente na Escola Senai em que pretende realizar o curso, até 6 de novembro. Poderá também se candidatar para outro turno do curso pretendido em 2º opção.
Não serão aceitas inscrições de alunos regularmente matriculados em cursos oferecidos gratuitamente pelo Senai-SP e que pretendam cursá-los simultaneamente.

A prova de seleção, que terá duração de 2h30, será realizada dia 29 de novembro e terá 60 questões de múltipla escolha em nível de conclusão do ensino médio. Serão cobrados conhecimentos de língua portuguesa (20 questões), matemática (20 questões) e ciências da natureza (física, química e biologia), também com 20 questões.

O candidato deve comparecer com guia de inscrição, cédula de identidade original ou outro documento oficial de identidade que contenha fotografia do candidato, caneta esferográfica azul ou preta, lápis e borracha.

O gabarito será divulgado no site www.sp.senai.br a partir das 14h do dia 30 de novembro. A lista dos aprovados poderá ser conferida no mesmo site, a partir das 14h do dia 21 de dezembro. Os aprovados na primeira chamada deverão se matricular nos dias 21, 22 e 23 de dezembro e os candidatos suplentes, no dia 28 de dezembro.

Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (11) 3528-2000 (capital e Grande São Paulo) e 0800-551000 (outras localidades), além do site www.sp.senai.br."

Boa sorte a todos!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Violência sem fim, até quando?

Bom dia pessoal! Infelizmente, o post de hoje é um pouco pesado, mas muito necessário. A violência tem assustado, acredito que não só a mim, mas a maior parte da população.

De repente, me ocorreu que as pessoas começaram a pensar que a vida é como nas novelas, filmes e jogos de videogame - pode-se matar que depois a pessoa tem a chance de voltar e recomeçar da onde parou...

Onde foi parar o valor da vida? O que será que nossos alunos pensam a respeito dela e da morte? Como encaram esta realidade? Todos os dias várias famílias tem suas pessoas queridas retiradas de maneira brutal - muitas vezes - de seu convívio diário. Como isso reflete nas crianças? E na sua rotina escolar?

Professores, meus colegas, me ajudem com estas respostas. Eu mesma tenho sentido um aperto no peito todos os dias por causa deste assunto... Já repararam nas notícias dos jornais? De 10 notas, 8 são coisas ruins que aconteceram, desde mortes naturais até assassinatos e desastres naturais. Isso é tão pesado, tão ruim para nós que somos adultos, imaginem para as crianças...

E onde vamos parar? Aliás, acredito que a pergunta principal seja o que podemos fazer para isso parar? Infelizmente, é um assunto que precisamos começar a abordar em nossas salas de aula, com apoio de psicólogos e pessoas especializadas - claro!

Desculpem começar a semana assim, mas é até um desabafo, uma preocupação. Um assunto importante a se pensar.

Boa semana e aguardo suas respostas e cometários.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Professores e professores

Recebi mais um texto no meu trabalho sobre a desvalorização do professor. Não vou publicá-lo aqui, pois é muito extenso, apenas meu comentário/resposta ao autor. Basicamente trata sobre o mesmo assunto do post anterior, valorização financeira do professor, também cita outros pontos, mas este é o principal. Vamos à minha resposta que também dá continuidade ao post anterior:

"Apesar de não ter sido direcionado a mim, recebi seu texto e o li com muita atenção. Tenho uma opinião um pouco diferente da sua, aliás, isto é muito saudável a todos.

Concordo em muitos pontos, mas devido ao grande número de 'reclamações' que tenho ouvido dos professores - sou editora do Jornal Virtual Profissão Mestre e Gestão Educacional , caso não conheça meu trabalho aqui na Humana Editorial - tenho os visto com olhos de decepção, talvez seja esta a palavra, não sei precisar.

Decepção por vocês - e eu mesma sou formada em Letras e já dei aulas, poucas, mas dei - se colocarem numa posição muitas vezes de inferioridade. Por quê? Professores sem dúvida são importantíssimos para qualquer país, não só para o Brasil, bem como os publicitários, vendedores, garis, médicos, editores, empresários (pequenos e grandes), carteiros... Veja que coloquei profissões tanto consideradas "nobres" quanto as que são praticamente desprezadas de sua importância na sociedade, como é o caso dos garis. Alguém já parou para pensar no salário que eles ganham? Em quanto tempo ficam em pé, andando, debaixo de sol e chuva, sendo ignorados pelas pessoas que passam ao redor? E se eles ficassem em greve, como ficariam nossas cidades? E eles com certeza também têm muito a ensinar - não tanto conteúdo específico como professores, mas têm com certeza seus valores e conhecimentos de vida.

Não estou comparando os professores com garis, mas estou querendo mostrar que toda profissão tem seu valor e importância na sociedade, e às vezes olhamos demais para nós mesmos. Valorização é extremamente importante certamente, a professores e a todas as profissões. No seu texto você coloca outros pontos também, e que desta forma concordo, como a valorização do trabalho/talento, respeito, motivação, perspectiva de carreira, etc. Isso sim é necessário buscar com mais afinco para que depois venha o valor financeiro. Primeiro, em todas as profissões, precisamos mostrar nosso talento e disposição em trabalhar, qualidade de trabalho para depois conseguirmos um aumento certo?

E o que vejo também é que muitos professores estão deixando muito a desejar em suas aulas. Escrevem e-mails com um Português paupérrimo, cheio de erros, com pouquíssimo conhecimento de coisas básicas da educação... por isso estou com esta opinião atualmente, me entende? Luto por valorização dos professores, mas não podemos apenas cobrar - quais serão meus argumentos que justifiquem um salário maior aos professores se tenho profissionais que não cumprem com sua função básica de ensinar corretamente, de terem respeito com os alunos - muitos deles não respeitam os professores, mas muitas vezes isso é apenas um espelho do que damos às pessoas -, de buscar aprender cada dia mais, afinal, esta profissão assim o necessita bem como médicos e profissionais da área de marketing e economia. Coloquei em meu blog pessoal um texto a respeito disso também esses dias... se o professor ganhar 3 mil reais por mês, salário que estou apenas imaginando, com o que gastaria além das contas normais de casa? Será que realmente pagaria um curso bom para se aperfeiçoar? Será que compraria mais livros e revistas da área educacional - ou que sejam livros apenas para entreter-se, mas livros? Precisa-se mesmo ganhar tudo isso para poder ler mais? Não há bibliotecas públicas, pessoas que emprestem livros de graça ou até livros bons vendidos a preço muito acessíveis?

Sabe, professor, você é uma exceção com seu bom texto, português, conhecimento de vários autores, boa explanação de argumentos. Pouquíssimos professores assim o fazem. Não me entenda mal, mas é que apenas gostaria que os professores pensassem também melhor. Todos passamos por problemas em nosso trabalho, professores têm de trabalhar em condições ruins em vários lugares, mas sem querer realmente fazer, não há como fazer. Querer é poder, desculpe, mas não sei o autor desta frase, contudo, se todos os professores realmente quisessem ser valorizados por seu trabalho, reconhecidos por seu talento, conseguiriam. Há professores e professores. Vários recebem o "piso salarial" sem merecer ao menos isto; muitos também deveriam receber mais por ser esforço pela educação - e estes geralmente além de trabalhar em escolas públicas, recebendo seu salário, fazem trabalhos voluntários, pedem ajuda para criar ongs, dão aulas em favelas em condições de risco e são muito felizes e têm muito orgulho em serem professores."

Ainda abro espaço no Jornal para que ele envie textos, mas acabo acima, onde nos é necessário.

Mais pontos a serem refletidos certo? Obrigada.
Abraço e vou indo comemorar meu aniversário :)

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Onde está o problema?

Estive ausente alguns dias por motivo de saúde, mas já estou melhor e gostaria de fazer um texto baseado em uma conversa que tive com uma colega.

Começamos com o comentário sobre uma professora que, não aceitando uma observação sobre um texto, mudou sua opinião de bom para péssimo de uma hora para a outra. Só por ter sido avisado quanto ao plágio a um texto... Claro, foi sem intenção, ela quis apenas "se guiar" e acabou copiando sem colocar as devidas citações.

Faço aqui um parênteses sobre o que é plágio, pois ela me deu a entender que não sabia exatamente o que era (devido a sua revolta). De acordo com o dicionário Aurélio, "1.Ato ou efeito de plagiar; plagiato.". Plagiar: "1.Assinar ou apresentar como seu (obra artística ou científica de outrem). 2.Imitar (trabalho alheio)".

Disso começou nossa conversa... o que leva uma professora a não saber o que é plágio, primeiramente? Como ela vai ensinar a seus alunos a fazerem pesquisas e trabalhos sem serem copiados de livros e da Internet?

Depois, que acho que é o ponto mais importante: por que vários professores reclamam tanto de desvalorização, no sentido de salário baixo mesmo, se muitos não sabem nem escrever corretamente?

Não são poucos os textos e e-mails que recebo diariamente, tanto aqui no blog quanto no meu trabalho, e posso afirmar que esses erros são inconcebíveis! Deslizes acontecem, sim, mas há uma grande diferença entre eles e falta de conhecimento entre o certo e o errado - principalmente na Língua que muitas vezes lecionam.

Ficamos com a pergunta: professores que mal sabem ler e escrever, merecem salários maiores, em torno de R$3 mil Reais? Podemos dizer que, se são professores, além da matéria que lecionam, pelo menos o Português deve ser correto - não rebuscado, mas sem erros, certo? Não atendendo a este requisito básico, podem ganhar um salário deste? Não seria já o suficiente pelo que "estão fazendo" com nossos estudantes?

Sim, se o professor fala e escreve errado, os alunos aprendem a falar e a escrever errado na própria escola, pelo profissional que é pago - independente se instituição pública ou privada - para fazer o movimento contrário, merece um salário inferior.

Aí vou ser questionada. Alguns vão me dizer: "O professor não pode se aprimorar por causa do pouco salário, ou paga as contas ou compra um livro." Certo, contas todos temos de pagar, evidente, mas quanto custa o mesmo professor que me envia um e-mail com estes vários erros abrir a página do jornal na internet e ler algumas reportagens ao invés de ficar reencaminhando e-mails com piadinhas? Quanto custa ir à biblioteca da própria escola pegar um livro? Não há bibliotecas públicas em muitas cidades brasileiras?

Ou então, se o professor ganhasse este valor imaginado por mim, de R$3 mil mensais, quanto disso ele investiria em cursos ou mesmo livros? Não reclamem do preço dos livros! Há muitos com preços muito em conta, de até 9,90 - e de literatura de qualidade!

Por hoje, peço que pensem a respeito destas linhas. Volto para complentar esta conversa...

Até!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Feliz dia do professor!

Gostaria de colocar um texto sobre uma conversa que tive com uma colega sobre a profissão professor, mas hoje estou "fora" e não tenho condições de escrever mais. COntudo, este seria o post para hoje mesmo, já programado, um poema que recebi em homenagem ao nosso dia. De autoria de Marcos Cesar Polifemi, "Pensando bem..."

"Quando penso em um professor...
penso em uma música bonita,
em um ritmo alegre,

penso em um livro excelente
com uma história cativante,

penso em um doce gostoso
e num salgado quentinho,

penso em uma criança brincando,
e em um sorriso aberto.

Penso em um filme emocionante
de um roteiro intrigante,

penso em uma carta antiga
com um segredo brilhante,

penso em um quadro colorido
de uma paisagem distante,

penso em um vento refrescante,
em um aroma inesquecível,
em um professor querido."

Um abraço!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Nome social nas escolas

Saiu no Jonal Gazeta do Povo, ontem, dia 7/10, uma matéria sobre o direito adquirido por estudantes que prefiram ser chamados por seus nomes sociais. Em breve, outros estados também adotarão tal medida. Leia abaixo:

"O Conselho Estadual de Educação do Paraná aprovou na terça-feira (6) o parecer que permitirá aos alunos com orientação sexual diferente da que é apresentada nos documentos oficiais a
utilizarem o nome social (nome pelo qual querem ser chamados) no momento da matrícula. Apenas os estudantes maiores de 18 anos poderão optar pela nova denominação. A expectativa do Conselho Estadual de Educação é que o nome social possa ser utilizado nas matrículas para 2010.

Agora a medida seguirá os trâmites internos e deverá ser regulamentada pela Secretaria de Estado da Educação (Seed), responsável pela educação básica, e pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), responsável pelo nível superior. No caso da Seed, a medida se aplicará aos estudantes do EJA (Ensino de Jovens e Adultos).

O relator do parecer foi o conselheiro Arnaldo Vicente. Ele esclareceu que o nome social será utilizado apenas nos registros internos das escolas, como nos livros de chamada, e não poderá ser adotado no caso de diplomas e históricos escolares. Nessas situações o estudante terá que entrar com ação judicial para requerer a mudança do nome civil, para que depois possa haver a mudança nos demais documentos. “O Conselho não irá mudar o nome civil de ninguém, pois o nome social valerá para documentos internos. O objetivo é respeitar as opções dos estudantes”, explicou Vicente.

No dia 1º de outubro o Ministério Público do Paraná (MP-PR) já havia dado parecer favorável à utilização do “nome social” nas escolas. Isso porque o Conselho Estadual de Educação havia pedido um posicionamento sobre o caso, uma vez que tinha recebido uma reivindicação da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) sobre o caso.

Para o presidente nacional da ABGLT, Toni Reis, a aprovação do nome social é o primeiro passo para que os travestis e transexuais possam ser incluídos e respeitados nas escolas do Paraná.

Segundo Reis, o preconceito é um dos principais motivos que levam esse grupo a abandonar a escola. “Queremos que os travestis e transexuais possam ter a oportunidade de estudar e de crescerem. Pois para muitos não há outra opção, a não ser a prostituição”, afirmou Reis.

O nome social já entrou em vigor no Pará e em Goiás, de acordo com o presidente da ABGLT. No entanto, os conselhos estaduais de outros estados também já aprovaram a medida, mas ainda não houve a regulamentação. O objetivo da ABGLT é que até o final deste ano o nome social já esteja valendo em dez estados."

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Travessia - Plano de aula de literatura

Gostaria de publicar um texto interessante, que pode ajudar em aulas de literatura. É da Professora Maria L.Vicari de Siqueira. (Contato: vicari@fema.com.br)

"Abrem-se, uma a uma, as asas do velho livro que traz nas mãos. O menino tem quatro anos, ouve a voz da mãe e vê-se dentro da floresta. “Eu vou... Eu vou...” Surpreende-se quando encontra Branca de Neve, tão branca e linda.

Agora ele já tem dez anos e, ora flutua no tapete voador, ora nada ao lado da grande baleia que engoliu Gepeto. As páginas viram, e já não é um menino de dez anos. Ele e o tempo correm, e as páginas passam... passam... O coração bate mais forte, porque está apaixonado por Clarissa. Mais um capítulo, e o corpo se transforma. Existem pecados nos livros que os mais velhos dizem que ele não deve ler. Mas ele degusta cada palavra e deleita-se. Agora é o vento que vira mais uma página, e o jovem de vinte anos emociona-se com Bibiana, tem ciúme do Capitão Rodrigo, perde-se nos olhos de Capitu...Tantos amores!

O homem feito ainda tem medos, mas entra pelas veredas do Grande Sertão.Quer saber quem é Diadorim, quer saber do diabo no meio da gente e faz a travessia por sugestão de Guimarães Rosa.

Ele e o tempo correm... Vê-se com quarenta anos, mas quer voltar com Eça, Alencar, Azevedo.Voa para Saramago, porque as palavras o levam por caminhos sempre novos, diferentes.

Um breve cochilo e está com cinqüenta anos... Bebe cada palavra de Garcia Marques e seus Cem anos de Solidão. O homem se espanta e percorre caminhos que o conduzem de volta à infância colorida, ao colo da mãe. Reconhece Narizinho e chora e ri. Seca as lágrimas e viaja com Dom Quixote e Sancho Pança, mas já desistiu de combater moinhos de vento, invisíveis. Clarice dedica-lhe palavras e o faz acordar aos setenta. Agora ele é pleno e vê as sementes que deixou pelo caminho. Não sente vergonha de ser velho. Suavemente acomoda o neto no colo e o faz encontrar Branca de Neve, branca e linda... E o velho descobre outro mar com Hemingway, mas lá está Veríssimo, que provoca seu riso com as Mentiras que os Homens Contam. Aproximam-se João Cabral, Quintana, Drummond, Scliar. Bem-vindos todos!

Agora, aos oitenta anos, recosta-se no travesseiro e o livro descansa em seu peito. Ele também descansa. Foram-se os medos e está tranqüilo. E é assim, com O Tempo e o Vento passando pela janela, que ele se sente cada vez mais feliz porque, sem se libertar da criança que existe dentro dele, outra viagem está por começar. Num momento de lucidez plena, sabe por quem os sinos vão dobrar amanhã.

O livro escorrega lentamente. Lutar contra moinhos de vento? Seria luta vã...É chegado o momento de fazer a viagem definitiva... Para o País das Maravilhas, talvez. E embarca."

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Nasceu! DVD Educação Especial

Olá pessoal,

Muitos puderam acompanhar meu dia a dia na criação do roteiro do novo DVD Educação Especial. Foram alguns meses de pesquisa e dedicação. Agora, "meu filho" finalmente está pronto e estou muito orgulhosa dele - e você já pode adquiri-lo aqui no blog. Foram muitos os pedidos e informações sobre o conteúdo. O menu está da seguinte forma, como coloquei no post DVD Educação especial:

- Inclusão
- Distúrbios (Dislexia, Disgrafia, Disotrtografia, Discalculia)
- Transtornos: subdivididos em... Transtornos do desenvolvimento
Transtornos do comportamento
- Síndromes
SÍNDROME DE KLINEFELTER
SÍNDROME DE TURNER
SÍNDROME DO TRIPO X
SÍNDROME DO DUPLO Y
SÍNDROME DE EDWARDS
SÍNDROME DE PATAU
SÍNDROME DO X FRÁGIL
SÍNDROME DE WILLIAMS
SÍNDROME DA DISTROFIA MUSCULAR DUCHENNE
SÍNDROME DE DOWN
- Deficiência auditiva
- Deficiência Intelectual
- Deficiência Física
- Deficiência Visual

Foram vários posts falando da importância da educação inclusiva, da diferença entre doença mental e deficiência intelectual, deficiência física e visual, transtornos...

Então, com a garantia de quem escreveu, pesquisou, entrou em contato com especialistas, acompanhou as gravações e fez testes, eu indico este material que já tem mais de 400 unidades vendidas! Você pode assistir a um trecho antes, basta acessar o banner "Assista a um trecho". Para comprar, clique no banner/imagem aqui do blog e adquira o seu em até 3X no cartão de crédito ou débito bancário.

Meu muito obrigada pelo carinho a todos vocês que me acompanharam no desenvolvimento deste produto e tiveram muita compreensão pelos dias que fiquei sumida daqui por causa dele!

Quem quiser divulgar também, entre em contato comigo ok?

Até

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

ENEM cancelado

Fonte: G1, do www.globo.com

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse na manhã desta quinta-feira (1) ao Bom Dia Brasil, da TV Globo, que será feita uma investigação para saber em que momento da impressão da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aconteceu o vazamento. Segundo ele, há fortes indícios de que "houve a subtração de um exemplar" da prova. O teste, que ocorreria no próximo fim de semana, foi cancelado na madrugada desta quinta-feira.

“Este exemplar da prova está comprometido. A equipe técnica constatou que o material correspondia a alguns itens da prova. Será feita uma investigação para identificar em que momento da impressão da prova um exemplar foi furtado. É a primeira vez que [isso] aconteceu em uma prova do Enem”, afirmou. “Nós vamos ter que fazer junto ao consórcio [que aplica o exame] uma investigação para chegar aos responsáveis e prendê-los. Isso não pode acontecer, em virtude da vigilância severa.”

Segundo o ministro, outra prova será realizada assim que se concluir a impressão das novas questões. Haddad disse que ficou “feliz” pelo fato de os estudantes não terem feito a prova. “Em primeiro lugar eu fico feliz não terem feito a prova, você imagina o que seria cancelar a prova depois de realizá-la. Seria um trauma muito grande [para os alunos]”, disse o ministro. “Quem está inscrito permanece inscrito, basta aguardar nova data. [O estudante] deve usar o tempo que ganhou com esse incidente para estudar.”

Inep

O presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, disse ao G1, por telefone, que, a princípio, o órgão não cogita mudanças em sua diretoria por causa do vazamento. Fernandes, que estava em São Paulo, a caminho de Brasília para participar da entrevista que o ministro deve conceder no final desta manhã.

Cancelamento

O MEC cancelou a prova, informou a assessoria de comunicação social do MEC, que confirmou também que a decisão partiu do ministro Fernando Haddad, após conhecer denúncia feita pelo jornal “O Estado de São Paulo”, de que a prova teria vazado.

Haddad concederá entrevista nesta quinta, na sede do MEC, em Brasília, para explicar os procedimentos com relação ao Enem. O MEC tem uma segunda versão da prova, mas ainda não está confirmado se essa versão poderá ser utilizada.

Cerca de 4,1 milhões de candidatos realizariam o exame. A expectativa do MEC é realizar a próxima prova, que tem como responsável o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em 45 dias.

O jornal “O Estado de São Paulo” denunciou que foi procurado por um homem que disse ter as duas provas que seriam aplicadas no sábado (3) e no domingo (4), e que queria vender o material por R$ 500 mil.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Palavrões em livros didáticos (?)

Não pude acreditar no que li agora mesmo no site do jornal O Globo (acesse a matéria do site aqui): livros didáticos com palavrões? Mais um absurdo da nossa educação! Fiquei muito indignada! Acompanhem.

"SÃO PAULO - Uma polêmica ganhou as ruas de Minas Gerais. Após casos semelhantes em São Paulo, agora foram os alunos da rede estadual mineira de ensino que receberam livros com palavrões.

Palavras de baixo calão aparecem em textos de literatura, usados em frases em que os personagens demonstram raiva. No texto aparece frases como 'Quem foi o grande filho da p... que me derrubou?' e 'Carimbê fica com vontade de mandá-lo tomar no c...'

'Eu fiquei bem assustada, porque eu nunca tinha visto um livro com essas palavras. São bem pesadas mesmo. Eu não gosto que falem, não falo.'

O livro foi distribuído para alunos do Ensino Fundamental até o 9º ano e provocou a indignação de pais, professores e alunos. A dona de casa Rosane Ferreira levou um susto ao ler livros da filha. Entre textos, exercícios de português e matemática, ela encontrou palavrões.

Um professor de português, que não quer se identificar, se recusou a usar o livro em sala de aula.

- Eu fiquei indignado. O aluno, por mais que fale esse tipo de palavras, não é na escola que ele deve aprender. Aliás, na minha sala de aula nem o direito de falar isso ele tem - afirma.

- Eu não posso mandar os alunos rasgarem o livro que é do estado, mas minha vontade foi essa - diz o professor.

O professor, no entanto, não conseguiu impedir que os alunos tivessem acesso ao livro, que continua sendo usado para as aulas de matemática.

- É uma falta de respeito, porque é uma escola. E isso não devia estar aqui. Não só por causa da gente, mas pelos professores também - comenta um aluno.

- Eu falei com meu professor que eu podia falar essas palavras, porque estava aprendendo no livro. Poderia falar em casa. É uma falta de respeito, porque é uma escola e isso não deve estar na escola. Não só para a gente, mas para os professores também - diz outro aluno.

A Secretaria de Educação de Minas Gerais informou que o livro foi aprovado pela equipe pedagógica e só deve ser usado por alunos que tenham mais de 15 anos."

Ah! Agora sim, para os maiores de 15 anos pode, está explicado... vamos ensinar nossos adolescentes a serem mal educados porque não tem problema nenhum... depois, quando aumentam o número de jovens envolvidos com drogas, violência, matando pessoas - inclusive pais e professores - vão falar o quê? Começa com um palavrão, que leva à falta de respeito, que leva à violência e a todo o resto. "Parabéns" para a equipe pedagógica que escolheu este material! "Excelentes" profissionais!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Uma nova visão

Todos os textos servem para refletirmos, nos trazem uma experiência – de qualquer coisa que seja – para aprendermos cada dia mais. Contudo, em várias vivências, tenho analisado o comportamento das pessoas em relação a determinadas situações expostas.

Quando um professor, aqui generalizando homens e mulheres, ensina a seus alunos uma matéria, por exemplo, o romantismo como classe literária, qual é a sequência que deve ser utilizada? O professor prepara a aula, seus conceitos, indicação de um livro pertencente ao gênero, repassa a seus alunos durante os 50 minutos de aula e... ? Acaba aqui a aula ou espera-se que o aluno reflita a partir do que foi falado em classe, busque estudar um pouco mais a matéria por conta própria, siga a indicação e traga para a aula um debate a respeito da obra?

Acredito que a maioria responderia citando a segunda opção, mas tenho certeza que você, leitor, já está falando baixinho na frente do computador: “É, isso se os alunos realmente fizessem a tarefa ou pelo menos se interessassem pela aula.” Aqui já consigo chegar ao ponto que citei no começo deste texto, sobre comportamento das pessoas.

Se você, professor(a), escolheu esta opção – de que seu aluno permaneceria em um processo de aprendizagem reflexivo – sabe da importância de tomar atitudes, investir tempo e disposição em criatividade e, principalmente, pensar sozinho. E você, pratica isso? Saiba que tenho até me assustado com um quadro alarmente de que um grande número de professores que não corresponde a este processo, ou seja, escolhe a opção de “acabar aqui” em muitos passos de sua profissão e carreira. Veja alguns exemplos que verifiquei depois de conversar com alguns professores. Essas são as mensagens subentendidas nas conversar e algumas solicitações denominadas de ajuda:

“Os alunos não querem estudar e isso é motivo para eu não me empenhar em fazer uma aula de qualidade.” “Todos os anos eu realizo as mesmas atividades, pois elas já estão prontas, e como ministro muitas aulas, reutilizá-las fica mais fácil.” “Ao invés de pedir a um colega uma sugestão para uma aula, já peço um plano de aula completo a respeito do tema que vou precisar.” “Por que tentar fazer sozinho se já posso ter pronto de outra pessoa?”

Claro, não são todos os professores que têm estas atitudes. Muitos procuram realmente ajuda, mas não estacionam nesta – utilizam esta ajuda para crescer e repensar suas práticas.

Contudo, eu acredito que não poderíamos ter nenhum professor pensando desta forma. Toda profissão tem suas glórias e sempre há alguma falta de reconhecimento, mas para criarmos uma “profissão: professor” que signifique importância, há de se aprender a pensar sozinho, se ter que ser “pego pela mão” para ir adiante, criar coisas novas ou apenas implementá-las. Nosso próximo JV é começo de outubro, mês do professor. Ano passado publiquei depoimentos de alguns cadastrados, inclusive o seu pode ter sido um deles, você lembra? Este ano pensei numa proposta diferente, que envolve o pensar criativamente e à frente. São dicas de planos de aula que estarão disponíveis em nosso site para você adquirir. Então, comece já a refletir sobre essas posturas que coloquei acima; se você não as tem, ótimo, mas se conhece algum colega que tem este costume, tente ajudá-lo a mudar este comportamento ok?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Biblioteca na escola - passo a passo

Continuando a proposta de ontem do texto retirado da revista Gestão Educacional de setembro, de autoria de Guilherme Soares Dias.

1) Destaque um profissional. Dê preferência a um bibliotecário, pois ele tem formação específica para trabalhar na área. Caso não seja possível, disponibilize um educador que goste de ler e que fique exclusivamente na biblioteca.

2) Crie um espaço agradável. O local deve ser arejado, ter boa iluminação natural (que não incida sobre o acervo), mobiliário de tamanho adequado (o público deve alcançar todos os livros) e de material resistente. Reserve lugares para leitura individual e, se possível, para atividades que propiciem troca de experiência.

3) Cuide do acervo. O ideal é disponibilizar dez livros para cada estudante.O profissional responsável deve ir a bibliotecas públicas, entrar em contato com editoras, ver e ler títulos que estão sendo adotados em outros lugares. As editoras lançam catálogos com publicações de lançamentos, que também podem ser consultados. “Não tem como se distanciar da sala de aula, mas também precisa haver livros de ficção e materiais para entretenimento”, defende Rita Pisniski, bibliotecária, diretora da Biblioteca Pública Monteiro Lobato, de São Paulo (SP), e voluntária de uma biblioteca comunitária na periferia da capital paulista.

Outra preocupação é a atualização do acervo. Caso haja doação de material, deve-se selecionar aquilo que será exposto e o que pode ser guardado em uma parte mais histórica ou mesmo não ser aproveitado. “Não dá para deixar um aluno consultar um livro antigo de geografia, por exemplo, e ele achar que aquilo é atual. A situação geopolítica muda constantemente e um livro de dez anos pode ser considerado velho”, comenta Rita.

4) Tenha um sistema de catalogação adequado. A classificação de livros deve ser feita de forma que o usuário os encontre com facilidade. O sistema pode ir desde softwares disponíveis na internet até o simples código de cores que separa os livros por áreas. Como um exemplo: vermelho para exatas, azul para humanas, amarelo para biológicas e verde para infantil.

5) Mantenha a biblioteca “viva”. Após os quatro primeiros passos, você tem uma biblioteca. Agora precisa trabalhar esse espaço para que seja dinâmico, agregue pessoas, torne o público fiel e atraia cada vez mais leitores. Saraus, recitais, oficinas, leituras em grupo, atividades culturais e contação de histórias são várias maneiras de propiciar momentos de troca entre os usuários da biblioteca. “Eles precisam se apropriar desse espaço. Essas atividades também se tornam um motivo para voltar”, conclui a bibliotecária.

Fonte: Rita Pisniski, diretora da Biblioteca Pública Monteiro Lobato, de São Paulo (SP)

Sites com conteúdos para enriquecer a biblioteca
• Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro: especializada em literatura em língua portuguesa – www.bibvirt.futuro.usp.br
• EBooksbrasil: livros eletrônicos gratuitos em diversos formatos – www.ebooksbrasil.com
• Jornal da Poesia: acervo de poesia em língua portuguesa, com textos de mais de 3 mil autores – www.secrel.com.br/jpoesia
• Virtual Books Online: e-livros gratuitos em português, inglês, francês, espanhol, alemão e italiano – virtualbooks.terra.com.br
Fonte: Conselho Federal de Biblioteconomia.

Números do setor editorial no Brasil
• Excluindo-se as compras de livros didáticos pelo governo, ou seja, considerando os preços praticados nas vendas ao mercado, a FIPE apurou uma queda do preço médio efetivo entre 2004 e 2008 de 24,5% no segmento de livros didáticos, 22,4% de obras gerais, 38% de livros religiosos e 23,3% no segmento de livros científicos, técnicos e profissionais. A queda foi facilitada pela desoneração do PIS e da COFINS sobre o livro, determinada pelo governo federal e o Congresso em 2004.
• De 2007 para 2008 houve aumento de 13,3% no número de títulos publicados. Pela primeira vez, foi ultrapassada a marca de 50 mil novos títulos lançados em um ano.
• No mesmo período, houve queda de 3,17% no número de exemplares produzidos. Ela se deve à redução de 18% no número de exemplares produzidos pelo setor de livros didáticos no ano passado. A produção menor ocorreu pelo fato de que, em 2007, o Governo Federal comprou livros para o ensino fundamental, e em 2008, livros para o ensino médio, que tem um número significativamente menor de alunos.
Fonte: Pesquisa anual sobre Produção e Venda do Setor Editorial Brasileiro divulgada pela CBL (Câmara Brasileira do Livro) em agosto de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Como montar uma biblioteca

Este texto foi retirado da revista Gestão Educacional de setembro. Dividi em 2 partes, pois é um pouco longo. Para amanhã ficam dois passo a passo da biblioteca ok?

"Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 4536/08, que dá prazo de cinco anos para que todas as escolas públicas e privadas do País tenham bibliotecas. O projeto do deputado Marcelo Almeida (PMDB-PR) considera como acervo ideal a média de três livros por aluno matriculado, mas não fixa prazo para essa meta ser alcançada. Sejam obrigatórias ou não, o fato é que as bibliotecas auxiliam no estudo e aproximam escola e aluno. Confira nesta reportagem detalhes de como montar uma biblioteca para instituições de ensino, tornando-as mais atrativas e estimulando a leitura.

Para criar um espaço de troca de conhecimento e tornar os alunos assíduos, a escola pode apostar em algumas estratégias. A biblioteconomista Andrea de Oliveira Alves, de São Paulo (SP), afirma que o processo começa com a análise da faixa etária do público e de suas necessidades. É preciso verificar o perfil dos alunos: a classe socioeconômica, o nível de escolaridade e se há estudantes deficientes visuais ou motores.

É preciso contratar uma pessoa para organizar esse local dentro da instituição. 'O bibliotecário é o mais apto para analisar o público e possui códigos para catalogação e classificação do acervo' afirma Andrea. Também são funções desse profissional: desenvolver uma política de coleção de acervo e usá-la constantemente, organizar os materiais para que sejam encontrados posteriormente, elaborar e usar vocabulário controlado de acordo com seus usuários e prestar o suporte necessário na referência ao usuário, ajudando-o a desenvolver estratégias de pesquisa. 'O bibliotecário também é o mais hábil para contornar qualquer problema relacionado à falta de estrutura ou de instrumentos para a execução do seu trabalho. Na falta de um código de catalogação, por exemplo, ele é capaz de criar um que lhe atenda e sirva aos frequentadores da biblioteca', esclarece a biblioteconomista.

Os livros devem atender as necessidades dos alunos: não existem modelos de bibliotecas prontos. Tudo depende da realidade do público, porém, tratando-se de uma biblioteca escolar, é indispensável que existam livros didáticos e de literatura, de acordo com a faixa etária dos estudantes, para que sirvam de apoio e incentivo à instrução do aluno.

O acesso à informação não pode ser limitado apenas a livros e materiais impressos. 'Há diversos suportes que permitem uma maior interação do usuário com a informação, tornando-a mais atrativa, como suportes virtuais (acessíveis por computador), auditivos e visuais, como CDs de música e filmes em DVDs', ressalta a biblioteconomista.

Caso exista fácil acesso a computadores e à internet, a biblioteca do colégio pode incluir em seu acervo materiais cujos direitos autorais já estão em domínio público. A busca pode ser feita, por exemplo, pelo site Domínio Público (www.dominiopublico.gov.br).

A biblioteca iniciante também pode contar com o programa do governo federal de criação desses espaços, disponível no site do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas da Biblioteca Nacional (www.bn.br/snbp). O sistema é válido também para escolas públicas.

O Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) sugere que o espaço destinado aos livros seja 'aconchegante, iluminado, arejado e tranquilo, permitindo aos frequentadores discutirem e trocar experiências sem atrapalhar os usuários que precisam de silêncio'. Área para leitura e cabines individuais ou para grupos também são recomendadas. Como muitas bibliotecas não dispõem de espaço adequado sequer para seu acervo, o CFB indica que o bibliotecário estabeleça horários para estudos em grupo e individuais.

O estudante também deve se sentir confortável, seja no chão – com tapetes, pufes e almofadas – ou em mesas e cadeiras. As estantes pecisam ser acessíveis e de materiais resistentes. Se forem de madeira, com tratamento contra cupins e outras pragas que podem atacar os livros. É indicado que as prateleiras sejam móveis, para que se adequem ao tamanho dos livros e, assim, proporcionem um melhor aproveitamento do espaço.

A especialista Andrea ainda defende o uso de softwares de gerenciamento que facilitam o trabalho de administração do acervo. 'Eles permitem controle de entrada e saída dos livros, possibilitam melhor conhecimento dos interesses de seus usuários e evitam perdas e prejuízos. Também ajudam na pesquisa e conferência do acervo. Para isso, não há necessidade de grande investimento financeiro, uma vez que existem softwares gratuitos que atendem as necessidades de bibliotecas pequenas e médias', lembra. Se a biblioteca não possuir recursos para adquirir um computador, pode-se recorrer a métodos mais convencionais, como fichas de empréstimo.

Além da leitura

A biblioteca escolar também precisa ser dinâmica e oferecer atividades culturais, como grupos de estudo de obras literárias ou das matérias em estudo. O espaço pode permitir e incentivar o diálogo entre os alunos, dirigentes, funcionários e professores, além de incentivar o pensamento crítico. 'Jamais deve ser um lugar repressivo ou de castigo. Se o professor manda o aluno para a biblioteca como punição ao mau comportamento, o aluno nunca desejará procurar a biblioteca', lembra Andrea.

O Programa Nacional do Livro e Leitura disponibiliza em seu site (www.pnll.gov.br) uma lista de projetos atuantes e seus resultados. São exemplos como o da Biblioteca Pública Infantil Professora Aglaé D´Ávila Fontes de Alencar, de Aracaju (SE), que desenvolve o projeto '1, 2, 3... Era uma Vez', oferecendo leitura, entretenimento e pesquisa ao público infantil e infanto-juvenil. São realizadas oficinas de narração de histórias, teatro de fantoches, exposições, oficinas de artes, desenho e pintura, apresentação de vídeos, concursos e outras atividades culturais. Após a implantação do projeto em 2007, o número de visitantes por mês saltou de 35 para 400. A quantidade de livros emprestada mensalmente quintuplicou, passando de 20 para 100. "

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Em um mesmo texto, múltiplos sentidos

Olá pessoal, um texto que deu muito retorno no JV foi este e gostaria de compartilhar com vocês. Lembrando do Concurso Cultural “Meu projeto é nota 10” que postei aqui no blog (acesse aqui), as inscrições vão até dia 30/09! Participem!

JORNAL VIRTUAL PROFISSĂO MESTRE
Profissăo Mestre – Ano 7 Nº 135 – 18/09/2009

Em um mesmo texto, múltiplos sentidos

Em um curso de aperfeiçoamento, foi proposto que interpretássemos uma música de Chico Buarque de Holanda. Muitos de nós fizemos adivinhações e poucos (para alívio meu) sabiam realmente do que tratava o texto. Achávamos que a letra da música referia-se ao amor de uma mulher por um homem que a deixava sozinha, ou vice-versa. A vergonha foi saber que a personagem principal era uma criança que reclamava a presença da mãe. Que diferença!

O que pode ter acontecido? Simples, ignorávamos o contexto de produção, isto é, não tínhamos conhecimento sobre a situação em que fora criada a música. Isso quer dizer que o sentido de um texto não depende somente da clareza do autor, da escolha das palavras que utiliza e do contexto social de sua criação; depende também dos conhecimentos prévios do leitor sobre determinado assunto que podem ser diferentes do conhecimento do autor e diferentes de outro leitor. Ou seja, o sentido dado ao texto pode ser múltiplo porque múltiplos são os leitores. Para exemplicar, conto-lhes outra situação.

Num curso de capacitação de professores, comentei a beleza de determinado livro e o quão a história havia me tocado a ponto de me levar às lágrimas. Na semana seguinte, uma das alunas disse-me com desdém: “Eu li o livro que você comentou e eu não achei nada emocionante”. Qual seria o motivo? Aí trata-se do contexto de uso. No momento em que li o livro eu poderia estar mais emotiva, ou poderia sentir empatia pela situação vivida pela personagem, diferentemente da outra leitora que poderia estar mais “fria” para a recepção daquela informação. Você já ouviu a frase “quando li o livro pela segunda vez percebi coisas que não havia notado antes”? Isto quer dizer que o contexto de uso modificou. O leitor, entre a primeira e a segunda leitura, pode ter amadurecido ou experenciado situações novas que influenciaram sua compreensão.

Daí a causa das múltiplas interpretações dada ao livro mais conhecido do planeta: a Bíblia. Justificam alguns que as mensagens são metafóricas e por isso permitem liberdade de interpretação; outros, mais conscientes, pesquisam o momento sociocultural dos fatos relatados, buscam na etimologia o significado histórico de determinada palavra. Tudo isso para evitar interpretações equivocadas.

Mas para tudo há um limite. Para cada texto há uma exigência. Os textos jurídicos, relatórios, atas e similares devem ser claros a ponto de não permitir interpretações distantes de seu propósito. E, do outro lado, o leitor deve buscar o maior número de informações para que não cometa o equívoco que cometi em relação à letra da música.

E daí, o que isso tem a ver conosco, pais e professores? Ora, diante desse conhecimento, devemos estar atentos às expectativas – geralmente alta – que criamos em relação ao rendimento de nosso filho ou aluno nas avaliações que verificam o grau de compreensão leitora.

Nós, que o avaliamos, devemos considerar seu conhecimento prévio em relação ao tema tratado, seja ele de um fato histórico, de uma palavra contida no enunciado de matemática, das observações que faz das estações climáticas, ou dos assuntos tratados no jornal falado da T.V. Ninguém relaciona fatos que nunca presenciou ou teve informações, ninguém escreve sobre aquilo que não sabe ou entende. A aprendizagem parte de algo que conhecemos para o que não conhecemos. Da informação velha para a informação nova. É assim que acontece!

Para você pensar: “O meu povo está sendo destruído por falta de conhecimento”. Se você quiser evitar uma interpretação livre dessa frase e conhecer o porquê de seu pronunciamento o endereço é Bíblia – Oséias 4:6ª.

Grace de Castro Gonçalves é nossa colega de Jornal Virtual. Seu contato: gracegonçalves2004@yahoo.com.br

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Aula de crase - parte 2 - exercícios

Como sequência do post Aula de crase - parte 1 (clique para rever), aqui estão os exercícios para você trabalhar com seus alunos. Importante que você os deixe fazer os exercícios sozinhos e depois corrijam juntos, explicando novamente o porquê da crase ou não naquelas frases.

1. Complete com a ou à:

a) Escreve ..... resposta ..... lápis.
b) Uma .... uma, as lágrimas caíam de seus olhos.
c) Ele voltou .... tarde.
d) Fomos .... Inglaterra e .... França.
e) Comprei .... moto .... vista.
f) Ele não gosta de visitar .... barulhenta São Paulo.
g) Chegamos .... cidade de manhã cedo.
h) Ele se viu .... mercê dos bandidos.
i) Dirija-se .... moça que está no guichê.
j) Desejo muitas felicidades .... todos.
k) Encontramo-nos cara ... cara.
l) Comi um gostoso bife ... milanesa.

2. A ocorrência ou não de crase pode alterar o sentido de uma frase. Explique a diferença de sentido que há entre as frases abaixo:

a) Disse à professora que não aguentava mais aqueles meninos.

b) Disse a professora que não aguentava mais aqueles meninos.


3. Considere as palavras abaixo e marque-as com a crase quando for necessário:

a) Essas são as pessoas as quais devemos entregar os documentos.
b) Entregue aquelas pastas aqueles professores.
c) Acho que haverá aulas de segunda a sábado.
d) Diga aquele homem para voltar mais tarde.
e) Estamos a uma semana do início das aulas.
f) Avisei a todos que a reunião começaria as 10 horas.
g) Peça licença aquele fiscal para deixar a sala e ir a lanchonete.
h) Esse atleta venceu a corrida de ponta a ponta.

4. Complete as lacunas com a, à ou há:

a) Encontrei com ... professora ... poucos instantes.
b) Alguma coisa aqui está cheirando .... queimado.
c) Ela deu ... luz uma linda criança.
d) Explique ..... meninas por que .... festa foi adiada para .... semana que vem.
e) Vamos encontrá-lo daqui ... alguns dias, quando formos .... fazenda.
f) Você já foi .... Bahia?
g) Ele chegou ... dez minutos, mas voltará ... sair daqui ... meia hora.

Exercícios retirados do livro "Estudos da Língua Portuguesa e Literatura", volume 2, Douglas Tufano.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Selo de reconhecimento

Oi Pessoal, estou bem corrida essa semana, então farei o possível para postar mais textos.

Hoje estou passando por aqui para postar o Selo de Reconhecimento que recebi do Professor Adinalzir, do blog saibahistória. Obrigada professor!

Preciso indicar mais 10 blogs para receberem este selo, aí vai:

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Plano de aula texto dissertativo e literatura

TEXTO DISSERTATIVO

Para este tópico, aconselho você, professor, a dar uma olhada (e ter inclusive) no livro Roteiro de Redação - Lendo e Argumentando (este aqui: http://www.fnac.com.br/roteiro-de-redacao-lendo-e-argumentando-FNAC,,livro-161571-1015.html). Ele é um curso ótimo de como escrever bons textos. No meu blog tenho como produzir um texto, contendo os 3 passos essenciais para isso, veja em http://priscilaconte.blogspot.com/2009/08/plano-de-aula-de-portugues-ortografia.html. Faça a mesma atividade, mas utilizando um texto dissertativo no lugar deste com erros e juntos encontrem as características do texto dissertativo. Posteriormente, eles terão de fazer o texto. Dê-lhes número de linhas a ser respeitado e palavras que precisam estar no texto. Além disso, faça-os colocar título.

LITERATURA

Conselho: pegue um livro interessante do realismo e já na primeira aula, lá de gramática, indique apra que eles comecem a ler. Quando chegar o momento da aula sobre o realismo, eles já terão uma noção do tipo de texto, de uma das obras do realismo e vocês poderão trocar ideias a respeito desta escola literária, não deixando uma aula monótona em que só o professor fala. Fale sobre outras obras desta escola e se possível mostre algumas obras de arte ligadas ao realismo para ajduar na fixação das características do realismo.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Plano de aula - adjuntos

Como foram de feriado? O meu foi um pouquinho maior, pois ontem era feriado municipal, então deu apra descansar bastante.

Hoje vamos falar um pouco sobre adjunto adnominal e adjunto adverbial, pedido de uma leitora do blog. Segue uma sugestão de aula.

Quanto à análise sintática, adjuntos é bem fácil de ser trabalhado, mas o problema é que geralmente os jovens acham que análise sintática é muito difícil. Primeira coisa que você deve mostrar que não é para despertar atenção e curiosidade.

Para isso, pegue frases de música que a faixa etária que vc vai dar aula costume ouvir, frases de poesis, ams tudo sempre na ordem direta, SUJ/PRED, para não embaralhar a cabeça deles.

Depois de escolher as frases, as coloque no quadro de maneira não linear; uma em cima, outra no meio, outra mais embaixo. Leia as frases com eles e perguntem se conhcem de algum lugar. Depois, uma a uma, vá questionando quem é o sujeito da frase, depois o que ele quer dizer (predicado), e deixe as marcações embaixo da frase no quadro. Depois, pergunte mais expecificamente a que classe de palavra pertence cada uma. Assim, você vai chegar aos nomes, ou seja, substantivo e verbos, o que facilita sua explicação sobre adjuntos.

Fale que adjunto quer dizer unido a alguma coisa, e comece a explicação do adnominal. Antes de entrar no adverbial, faça exercícios para fixação, e na hora da correção, repassem o conceito.

Agora é a vez do adjunto adverbial. Siga as mesmas instruções.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Aula de Crase - parte 1

Crase, para muitos, é um monstro que nunca ninguém vai aprender. E isso não é verdade! Com uma boa explicação é possível, sim, aprender - e não decorar - o uso da crase para a vida toda. Vamos lá?

Primeiro, é necessário dizer que crase não é acento e sim uma fusão de duas vogais, sendo uma delas preposição e a outra artigo.

Para não ficarem dúvidas e a fixação ser melhor, faça uma revisão do que é preposição (liga dois termos e estabelece relação de sentido entre eles) e mostre quais são as preposições. Tudo sempre em esquemas, no quadro, utilizando giz colorido para melhor fixação. Aliás, também é bom que além de escrever, você vá lendo o que está colocando no quadro e os alunos copiem simultaneamente. Por quê? Têm pessoas que são mais visuais (meu caso), outras mais auditivas e outras que são os dois. Fixam melhor lendo, ou melhor ouvindo, e também têm os casos em que escrever é que faz fixar a matéria. Cada um deles têm uma porcentagem no aprendizado e é improtante que em matérias importantes você utilize todos os recursos.

Faça um quadro, então, com as preposições. Até hoje sei de cor todas, pois lembro que a professora da 4ª série escreveu do lado direito do quadro a tabela... bem visual não? Feito isso, passemos para a revisão de artigo: usa antes do substantivo (nome) para dar sentido definido ou indefinido. Mostre quais são.

Agora entramos no uso da crase em si. Se os itens anteriores não ficarem claros, retome antes de fazer a explicação das regras da crase, senão, não haverá aprendizado.

Passemos para as regras em que SEMPRE USAMOS CRASE. Atenção: mostre primeiro sempre o que é a favor, o que usa sem exceção para não fazer confusão na cabeça dos estudantes.

SEMPRE USAMOS CRASE:
Horas > Sairei às três horas.
Locução adverbial, prepositiva e conjuntiva feminina > à tarde, à frente de , à medida de...

ÀS VEZES, É PRECISO CUIDADO:
1- diante de uma palavra masculina quando uma palavra feminina estiver subentendida.
Ex: Ele tem um estilo à Machado de Assis.
(à maneira)
A entrevista foi dada à Globo.
(à rede)

2- é facultativo antes de pronomes possessivos e nomes próprios femininos.
Ex: Desejo felicidades a sua irmã.
(à sua = para a sua)
Desejo felicidades a Joana.
(à Joana = para a)

3- nomes de lugares. Basta substituir o A pela preposição PARA. Se o A for necessário, a CRASE também é.
Ex: Fui à Alemanha. > Fui para A Alemnha
Fui a Campinhas. > Fui para Campinas.

Agora, faça exercícios em que só apareçam estas dois tipos, o sempre e o às vezes. Amanhã colocarei o NUNCA e alguns exercícios. É importante ir assim, por aprtes, para não jogar um monte de regras de uma só vez ok?

Até amanhã!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Concurso Cultural “Meu projeto é nota 10”

Pessoal, abrimos um concurso por meio do Jornal Virtual Profissão Mestre de sexta-feira, dia 28/08/09, para participação de projetos envolvendo os temas transversais. Vou divulgar aqui no blog também! Participem!

JORNAL VIRTUAL PROFISSÃO MESTRE
Profissăo Mestre – Ano 7 Nº 132 – 28/08/2009

Começam hoje, dia 28 de agosto, as inscrições para o Concurso Cultural “Meu projeto é nota 10”, que visa o cadastro de projetos educacionais envolvendo um dos temas transversais Ética, Meio ambiente, Saúde, Pluralidade cultural, Orientação sexual, Trabalho e consumo – bem como os temas locais escolhidos por nossa equipe – Drogas, Violência, Finanças e Tecnologia.

Esta é uma oportunidade de você, professor ou gestor, ter seu projeto divulgado para todo o Brasil como exemplo a ser seguido. Ah! E a publicação não vai ser no Jornal Virtual, não; o texto estará entre os grandes nomes da educação brasileira no livro Educação 2010 – edição especial de 5 anos contendo como temática os Temas Transversais. Além disso, para os escolhidos será enviado um livro Educação 2010 e um CD Coleção Educação, contendo as edições de 2006, 2007, 2008 e 2009.

Vocês, cadastrados do nosso Jornal Virtual Profissão Mestre, que já participam com textos disponibilizados aqui no JV e nos ajudando a escolher os temas de nossos DVDs, não poderiam ficar de fora desta edição comemorativa. Então, aguardo seu projeto. Vamos para o regulamento e critérios de seleção?

1) Participará do Concurso Cultural “Meu projeto é nota 10” a escola – pública ou particular –, instituto, fundação ou professor que, além de ter ela(e) própria(o) desenvolvido o projeto, o tenha colocado em prática há pelo menos 3 meses, regressivos de acordo com a data de início deste concurso cultural, dia 28 de agosto de 2009.

2) Cada escola – pública ou particular –, instituto, fundação ou professor só poderá inscrever 1 (um) projeto.

3) Os projetos a serem inscritos deverão obrigatoriamente ter como seu assunto principal e base um dos temas transversais ou locais citados: Ética, Meio ambiente, Saúde, Pluralidade cultural, Orientação sexual, Trabalho e consumo, Drogas, Violência, Finanças e Tecnologia.

4) O projeto deverá conter, dentro de um dos temas escolhidos, a concepção do projeto, o motivo da escolha do tema, contexto no qual se emprega, público-alvo a ser atingido, quem teve a iniciativa e quando, entre outras informações pertinentes à avaliação do projeto pela equipe Multiverso, responsável pela edição e distribuição do livro Educação 2010.

5) Para participar do Concurso Cultural “Meu projeto é nota 10”, o projeto deverá conter no máximo 30 mil caracteres sem espaço (o equivalente a 10 páginas de “word”). Também deverá apresentar o desempenho dos estudantes envolvidos no projeto, contando quantos profissionais e estudantes foram envolvidos, como era a situação ao iniciar o projeto e até o momento, quais foram os avanços e em quais pontos. Será necessário, igualmente, serem enviadas data de início do projeto, atividades realizadas, se é um projeto sustentável, ou seja, mesmo escolas com poucos recursos ou sem acesso a algum material utilizado podem adaptá-lo, da mesma forma, deve-se apresentar um passo a passo de implementação do projeto para outras escolas o fazerem.

6) Deverão ser enviadas de 5 até 15 imagens do projeto – ambiente em que foi desenvolvido, pessoas realizando as atividades, das próprias atividades, etc. – na resolução, cada uma, de 300 dpi. As imagens que tiverem a presença de pessoas, independente de adulto ou criança, devem ter autorização para veiculação de imagem de cada pessoa que aparecer.

7) O responsável pelo projeto deverá enviar, no mesmo e-mail que conterá o projeto, seu nome completo, telefone e confirmar se o e-mail do qual está enviando é o mesmo para contato.

8) As inscrições serão apenas via e-mail. O projeto deverá ser enviado para o e-mail priscila.conte@humanaeditorial.com.br até 30 de setembro de 2009. Os projetos recebidos depois deste período não serão avaliados.

9) Critérios que serão utilizados na avaliação do projeto:
9.1) Adequação ao tema proposto, respondendo às perguntas solicitadas no item 4 bem como a utilização de apenas um dos temas transversais aqui citados no item 3.
9.2) Apresentação de desempenho do projeto contendo dados anteriores a ele e seus resultados reais depois de sua aplicação.
9.3) Originalidade.
9.4) Respeito à quantidade de caracteres (30 mil sem espaço).
9.5) Imagens com autorização e resolução corretas.

10) A Multiverso se compromete a não divulgar os projetos não selecionados, apagando-os imediatamente após o fim do processo de seleção.

11) A divulgação dos projetos selecionados será realizada dia 9 de outubro de 2009, por meio do próprio Jornal Virtual Profissão Mestre, no site www.profissaomestre.com.br e com e-mails enviados para os selecionados.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Uso dos porquês

Prepare duas páginas para entregar a seus alunos com a explicação abaixo e os exercícios. Caso prefira, ou não tenha como fazer uma quantidade tão grande de material, você pode explicar e escrever as regras no quadro para que eles copiem em seus cadernos.

Explique um por um os porquês, falando pausadamente e dando ênfase aos pontos que eles terão facilidade em fixar o porquê de cada porquê (rs). Dê-lhes um tempo apra realizarem os exercícios, que podem ser trocados pelos de sua escolha, professor, e após verificar se a maioria já acabou, realize as correções. Leia a frase toda, já completando com o porquê, e espere que eles lhe digam a resposta que achem correta. Fale a resposta certa e explique a qual regra ele se aplica para reafirmar o entendimento dos estudantes.

Abaixo seguem as explicações e os exercícios. Explicações retiradas do site http://www.brasilescola.com/gramatica/por-que.htm e exercícios do Professor Ricardo Sérgio, http://recantodasletras.uol.com.br/gramatica/1059997.

Por que

O por que tem dois empregos diferenciados:

Quando for a junção da preposição por + pronome interrogativo ou indefinido que, possuirá o significado de “por qual razão” ou “por qual motivo”:

Exemplos: Por que você não vai ao cinema? (por qual razão)
Não sei por que não quero ir. (por qual motivo)

Quando for a junção da preposição por + pronome relativo que, possuirá o significado de “pelo qual” e poderá ter as flexões: pela qual, pelos quais, pelas quais.

Exemplo: Sei bem por que motivo permaneci neste lugar. (pelo qual)

Por quê

Quando vier antes de um ponto, seja final, interrogativo, exclamação, o por quê deverá vir acentuado e continuará com o significado de “por qual motivo”, “por qual razão”.

Exemplos: Vocês não comeram tudo? Por quê?
Andar cinco quilômetros, por quê? Vamos de carro.

Porque

É conjunção causal ou explicativa, com valor aproximado de “pois”, “uma vez que”, “para que”.

Exemplos: Não fui ao cinema porque tenho que estudar para a prova. (pois)
Não vá fazer intrigas porque prejudicará você mesmo. (uma vez que)

Porquê

É substantivo e tem significado de “o motivo”, “a razão”. Vem acompanhado de artigo, pronome, adjetivo ou numeral.

Exemplos: O porquê de não estar conversando é porque quero estar concentrada. (motivo)
Diga-me um porquê para não fazer o que devo. (uma razão)

Exercício: no lugar dos asteriscos coloque: Por Que, Porque, Por Quê Ou Porquê.

1 - Quero saber ** estou assim.
2 - Foi reprovado e não sabe **.
3 - ** você está tão aborrecida?
4 - Ignora-se o ** da sua renúncia.
5 - São ásperos os caminhos ** passei.
6 - Quero saber ** foste reprovado.
7 - ** os países vivem em guerra?
8 - Quero saber o ** de sua decisão.
9 - ** sinais o reconheceram?
10 - Não sei ** motivo ele deixou o emprego.
11 - Ele não viajou **?
12 - Eram os nomes de solteiras ** as havia chamado.
13 - Eis ** o trânsito está congestionado.
14 - Ele viajou ** foi chamado para assinar contrato.
15 - Todos lutamos ** haja maior justiça social.
16 - Ele deve estar em casa ** a luz está acesa.
17 - Estávamos ansiosos ** ela voltasse.
18 - Estava triste sem saber **.
19 - O espetáculo foi cancelado ** não havia teatro disponível.
20 - É um drama ** muitos estão passando.
21 – A situação se agravou ** muita gente se omitiu.
22 – Dê-me ao menos um ** para sua atitude.
23 – O túnel ** deveríamos passar desabou ontem.
24 – Não sei ** há poucas escolas no país.
25 - Aprender o uso dos ** é muito importante.
26 - Muitos reclamaram das notas, mas não havia **.
27 - Você não me explicou os ** da sua demissão.

*As respostas estão no site do professor.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Voluntárias alfabetizam adultos no Paraná

Bom dia! Lendo o G1 do www.globo.com, encontrei esta notícia que está totalmente relacionada ao post no qual falei sobre alfabetização (clique aqui para ler novamente). Meu estado parece que está destacando na área e o seu?

"Cerca de 45 mil paranaenses voltaram a estudar depois de adultos. Na cidade de Guarapuava (PR), um grupo de mulheres é responsável por parte destes alunos que estão sendo alfabetizados.

Roseli da França tem dois turnos. De dia é servente em uma escola. À noite, troca o descanso com a família, pelo desafio de ensinar adultos a ler e escrever. “Eu não tive também a oportunidade de estudar no tempo certo. Pensando na minha experiência de vida, eu quis fazer isso. Por sinal, estou gostando bastante”, afirma a alfabetizadora.

Zenilda Araújo também é alfabetizadora. Mora em um assentamento na área rural de Guarapuava. Foi de porta em porta convencendo os vizinhos a estudar e hoje ensina o bê-á-bá para 14 alunos. “Muito gratificante quando você vê que eles estão conseguindo juntar uma sílaba a outra e formar uma palavra. Eu acho que cada um de nós tem muito a ensinar”, diz Zenilda .

A falta de escola por perto não foi motivo para impedir o acesso ao conhecimento. A professora abriu as portas da própria casa para ensinar o que os alunos passaram a vida esperando aprender. O esforço é grande, mas para quem não sabia ler o próprio nome, significa muito.

Um dos alunos, Dinarte de Oliveira, conta com o apoio da filha, de 13 anos. “Eles, que são mais jovens, veem tudo na frente. Eu já tenho 51 anos, mas, estudamos um pouco” , revela.

Maria Morgado, do núcleo regional de educação, ressalta os benefícios do trabalho dessas mulheres. “Tem vários exemplos de pessoas que até já conseguiram tirar a carteira de motorista. Faz uma diferença muito grande na vida das pessoas o trabalho desses voluntários”, afirma."