quinta-feira, 13 de março de 2008

Uma apologia à próxima geração de professores

A arte de ensinar alguém a ler é, para quem está de fora, tremendamente simples, mas para o executor, um processo de difícil desempenho. O fato é que hoje o foco está no ato de aprender.

E a preparação do professor para conduzir, orientar e propiciar a aprendizagem, como deve ser? Justamente isso está gerando inúmeras opiniões.

A polêmica
Principalmente nos grandes centros e universidades, surgiu uma das mais polêmicas discussões da área educacional contemporânea: qual o tipo de formação que deveria ter a professora envolvida com o processo de alfabetização, ou melhor, de letramento (como se denomina atualmente).

Todos que estão envolvidos na área educacional sabem muito bem que essa é uma tarefa que requer formação em Magistério ou Pedagogia. Porém, opiniões divergentes existem.

Fundamentando os questionamentos
A pedagoga traz toda a formação na área das teorias de aprendizagem, psicologia da criança, didática, além de métodos de ensino e aprendizagem, porém, lhe falta o conhecimento mais profundo nas áreas de gêneros literários. Conseqüentemente, essa profissional acaba, muitas vezes, desenvolvendo um processo de construção do conhecimento baseado em palavras e frases, e não na construção do conhecimento da Língua propriamente dita.

Essa técnica pode acarretar para os estudantes o aprendizado de uma leitura mecanizada, com dificuldades na área compreensão e interpretação dos textos, ou seja, o que chamamos de analfabetos funcionais (lêem, mas não conseguem usar a Língua como um instrumental da aprendizagem para outras disciplinas).

Entendendo o processo, podemos entender o resultado: eles não sabem matemática porque não entenderam o que estava escrito no enunciado, ou ainda, não compreendem o que relata o problema. Não conhecem História porque não sabem o real significado das palavras ditas pelo professor, escritas no livro. Não conhecem Geografia porque não conseguem ler um mapa.

Já a especialista em Letras, que conhece muitíssimo bem os gêneros literários, não tem os conhecimentos pedagógicos e da evolução intelectual das crianças como a pedagoga. Falta-lhe um aprofundamento necessário para trabalhar com jovens em faixa etária de alfabetização, apesar de estudar Psicologia, Didática e Metodologia de Ensino em seu curso.

Em busca de solução
Se analisarmos logicamente, podemos refletir que o primeiro contato da criança com a Língua é o de ouvir os sons. Depois vem a fala.

No processo de alfabetização existem algumas etapas a serem seguidas, porém, muitas vezes, a fase seqüente (fala) é eliminada e passa-se direto para a escrita. Esse ato pode ser justificado pelo fato de a criança brasileira ter naturalmente a oratória bem desenvolvida. Entretanto, como as turmas são muito grandes, uma atividade nesse sentido fica impossibilitada de ser realizada.

Também pode ser argumentado, de maneira muito correta, que para atingir realmente o letramento, a criança precisa construir sua escrita, diferenciar os gêneros, escrever muito e ter ao seu lado um professor-orientador e facilitador desse processo.

Dessa forma, se o educando passa pela etapa em que desenvolve sua comunicação oral, a escrita vem facilmente como uma conseqüência porque a natureza do processo de desenvolvimento é seguida.

A maior importância, portanto, não está na graduação do professor responsável por essa fase, mas, sim, nos conhecimentos que ele domina. Muitos profissionais de educação acreditam que seria uma excelente solução um trabalho interdisciplinar: profissionais com pleno domínio da Língua Portuguesa e pedagogos trabalhando em equipe.

O texto é de Gilda Lück, mestre em Educação pelo Lesley College (EUA) e doutora em Engenharia da Produção. Colaboração: Priscila Conte. (Sim, eu! rs) Publicado em Agosto de 2006 na revista Profissão Mestre.

Até

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